Apesar das investigações feitas pela operação #Lava Jato e pela Procuradoria Geral da República (PGR) que confirmam o repasse de propinas por 'negócios' com a Petrobras, o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha insiste em afirmar que ficou mais pobre nos últimos cinco anos. De fato, as últimas declarações do imposto de renda do parlamentar apontam para uma redução de seu patrimônio. Entretanto, isso não foi suficiente para livrá-lo das suspeitas de repasse de informações inconsistentes à Receita Federal e de variação de patrimônio incompatível com seus rendimentos.

As atenções se voltaram para Cunha desde que ele foi citado no esquema de recebimento de propinas, ao intermediar contratos de empresas com a Petrobras.

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Além disso, as denúncias envolvem a existência de contas no exterior que, segundo a PGR, seriam de propriedade do parlamentar.  Elas seriam abastecidas pelo repasse destes valores desviados. Ainda, de acordo com o órgão, os valores depositados ficaram em torno de 1,3 milhão de francos suíços, algo correspondente a R$ 4,8 milhões. A operação teria sido feita em 2011, pelo lobista João Henriques.

Desde o começo da investigação que levou o parlamentar a ser denunciado por crime de lavagem de dinheiro e #Corrupção, a PGR, com a quebra de seu sigilo bancário autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conseguiu o bloqueio de suas contas na Suíça.

As declarações de imposto de renda de Cunha mostraram uma perda de patrimônio de R$ 1,704 milhão em 2010, para R$ 1,537 milhão em 2014. Ainda, em 2010, o deputado declarou possuir ações da empresa OGX, de Eike  Batista, avaliadas em R$ 490 mil, além de três automóveis: um Corolla, no valor de R$ 60mil, um Santana, avaliado em R$ 25 mil e um Mitsubishi, cujo valor declarado foi de R$ 101,5 mil.

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Além destes bens, os valores recebidos como deputado chegaram a R$ 227, 5 mil.

Em 2014, Cunha manteve apenas o Corolla 2007. Entretanto, declarou possuir três salas em prédios comerciais avaliadas em R$ 335 mil e a posse de 50% de um apartamento no valor de 175 mil reais. Além disso, declarou possuir a empresa C3 Produções Jornalísticas, em sociedade com a sua mulher, a jornalista Cláudia Cruz, com capital social avaliado em R$ 840 mil reais. Como parlamentar, o deputado declarou ter recebido R$ 320,6 mil reais.

Apesar das declarações prestadas, Cunha não escapou da investigações feitas pela Receita que investiga os indícios de declaração de patrimônio descoberto, além de várias informações sem consistência. Neste sentido, o órgão baseia-se também nas informações de rendimento prestadas pela mulher de Cunha, cujo dados mostraram despesas de cartões de crédito num valor superior aos ganhos declarados. Existe a suspeita de que tais gastos possam ter sido pagos por outras pessoas com cartões emitidos nacionalmente.

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Como também é ré no processo que investiga a sua participação em crimes de lavagem de dinheiro, Cláudia Cruz apresentou rendimentos nos anos de 2013 e 2014 que são incompatíveis com a movimentação de sua conta bancária.

Tanto a defesa de Cunha quanto a de sua mulher negaram o fato de seus clientes tenham prestado informações falsas à Receita Federal, assim como supostos envolvimentos em casos de corrupção.  #Eduardo Cunha