Em maio de 2015, em São Paulo, o advogado e empresário Danilo Amaral hostilizou o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, criticando os investimentos feitos no programa Mais Médicos.

O episódio aconteceu em uma churrascaria do Itaim, bairro nobre da capital paulista, e foi gravado por um amigo do empresário.

“Temos a ilustre presença do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, que nos brindou com o programa Mais Médicos, da presidente Dilma Rousseff, responsável por gastos de 1 bilhão de reais que nós todos otários pagamos até hoje. Uma salva de palmas para o ministro”, disse Amaral, de pé, erguendo um copo.

O vídeo, que viralizou nas redes sociais e rendeu 15 minutos de fama ao empresário, volta agora aos holofotes depois que a família do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado citou Danilo Amaral em delação premiada da Operação #Lava Jato.

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Ele, que é sócio da Trindade, aparece pelo menos 18 vezes como um provável receptor de R$30 milhões em contratos de prestação de serviços da Transpetro. A Trindade foi mencionada 65 vezes e, de acordo com a delação, foi usada para lavar o dinheiro desviado da Petrobras.

Mas segundo Expedito Machado Neto, o Did, filho mais novo de Sergio Machado, Amaral não tinha conhecimento das transações e nem da ilegalidade dos contratos. O empresário, porém, também foi citado na delação do próprio ex-chefe da Transpetro.

Relembre o caso

Alexandre Padilha foi o nome escolhido pela presidente Dilma Rousseff para chefiar a pasta de maior orçamento do governo.

Em julho de 2013, ele anunciou a criação do programa social Mais Médicos, que procurava levar mais profissionais da saúde para regiões afastadas do país, onde geralmente o número de médicos é menor que em grandes centros urbanos.

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Com o desinteresse dos médicos brasileiros em atender em pequenas cidades e áreas ruralizadas, o governo brasileiro trouxe milhares de cubanos para preencher as vagas remanescentes e, assim, levar o atendimento à saúde para mais pessoas.

Em 2014, Padilha deixou o ministério da Saúde após três anos para ser candidato ao governo do estado de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mas perdeu a disputa logo no primeiro turno para Geraldo Alckmin (PSDB), que tentava a reeleição.

Depois do episódio no restaurante, o ex-ministro divulgou uma nota em defesa do programa Mais Médicos.

"Toda vez que uma pessoa que nitidamente nunca passou pela dificuldade de não ter médico no seu bairro, comunidade ou família faz um gesto de ódio ao Mais Médicos, fico mais orgulhoso do programa que criei e implantei", diz o texto.

Sobre a atitude de Danilo Amaral, Padilha escreveu: "Embora [o empresário] tenha buscado chamar a atenção do salão, talvez imaginando que seria solenemente aplaudido, foi absolutamente ignorado pelas dezenas de pessoas durante o seu ato de agressão. Apenas seu colega de mesa o aplaudiu".

E completou: "Após sua retirada, os garçons, as pessoas de outras mesas e o proprietário do estabelecimento prestaram solidariedade a mim". #Corrupção #Petrolão