Do conhecimento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com relação ao Regimento Interno da #Câmara dos Deputados todo mundo já sabe. Do seu poder de influência com relação a outros deputados também é notório. Mas o que ainda surpreende é a fidelidade cega de alguns parlamentares ao presidente afastado da Câmara, mesmo quando ele está prestes a se "afogar".

O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PR-MA), enviou há duas semanas quatro perguntas a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre uma possível votação em plenário de um processo disciplinar: "se deve ser votado em plenário um projeto de resolução ou parecer; se é possível fazer emendas em plenário; se essas emendas podem prejudicar o representado; e se no caso de rejeição pelo plenário do projeto de resolução, é preciso deliberar sobre a proposta original da representação ou se ela é considerada prejudicada".

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A CCJ deliberou o deputado Arthur Lira (PP-AL), investigado pela Lava Jato e fiel escudeiro de #Eduardo Cunha, para relatar o caso. Segundo seu relatório, o plenário da Câmara não poderia derrubar uma votação feita no Conselho de Ética, algo impensável, já que o plenário é soberano perante qualquer órgão da Casa Legislativa. 

Isso porque, Cunha articula para aprovar no Conselho de Ética, no caso, uma suspensão de 3 meses, como foi proposto pelo deputado João Carlos Bachelar (PR-BA), outro aliado de Cunha, em voto em separado durante a última reunião do Conselho de Ética. Se o relatório de Marcos Rogério (DEM-RO) pedindo a cassação de Cunha não for aprovado, e sim a pena alternativa, caso o parecer de Lira seja aprovado na CCJ, a votação em plenário deliberaria apenas entre a suspensão de 3 meses ou o arquivamento do processo. 

No cenário atual, o plenário é soberano, e, mesmo que o relatório pedindo a cassação de Cunha seja recusado no Conselho de Ética, ele seria levado a plenário para votação.

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Esse é o maior medo do presidente afastado da Câmara, pois ele sabe que, com maioria simples, na votação em plenário, perderia seu mandato. 

Na última quinta-feira (9), a votação do parecer de Lira na CCJ foi adiada pela terceira vez. A reunião do Conselho de Ética para votar a cassação de Cunha está marcada para a próxima terça-feira (14). #Dentro da política