O juiz federal Sérgio Moro decidiu acatar, nesta quinta-feira, dia 09, o pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR) para que a esposa do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),  a jornalista e ex-apresentadora de telejornais da Rede Globo, Cláudia Cruz, fosse incluído como nas investigações da Lava Jato. Ela é suspeita de se beneficiar do esquema de propinas repassadas pela Petrobras para contas correntes mantidas no exterior e que seriam de propriedade do deputado afastado.

Além de Cláudia, seu marido  também era beneficiado com o dinheiro da propina e com o direito de indicar seus protegidos para a Petrobras

Na condição de ré, Cláudia Cruz será denunciada pelos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

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Este foram cometidos através do sistemático desvio de dinheiro proveniente de negócios fechados pela área internacional da empresa, principalmente, nas obras de exploração de petróleo na capital Benin, na costa da África. A estatal brasileira fechou um negócio de extração em 2011, no valor de  US$ 34,5 milhões. Deste total, cerca  de US$ 10 milhões foram pagos através de propina.  A mulher de Cunha teria se beneficiado de US$ 1,5 milhão. Além dela, as investigações mostram que o deputado, além de se beneficiar do esquema de propinas, teria direito a indicar a quem ele desejasse para os cargos na área internacional.

De acordo com a Procuradoria-Geral de Justiça, Cláudia tinha pleno conhecimento do esquema montado para o desvio de dinheiro. Ela era a controladora da empresa Kopek, uma off shore com sede na Suíça, que recebia os valores de outras três, a Orion SP, a Triumph SP e a Netherton, cuja propriedade, segundo as investigações, seriam do presidente afastado. 

As empresas citadas pela #Lava Jato eram as depositárias das propinas repassadas para as contas que Cunha negava que existiam.

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A partir destas off shores, o dinheiro seria repassado aos seus verdadeiros beneficiados, numa tentativa de encobrir a existência do esquema.

Tanto Cunha quanto sua mulher agiram de tal maneira a converter rapidamente o dinheiro utilizado. Segundo os investigadores, Cláudia pagou o equivalente a US$ 1 milhão num espaço de 7 anos, entre 2008 a 2014, somente em compras de cartão de crédito, o que era incompatível com a a renda e o patrimônio real de seu marido.  Além disso, ela cometeu fraude contra o sistema financeiro ao deixar de declarar depósitos em contas no exterior entre 2009 e 2014, no valor de US$ 100 mil.

Os recursos foram utilizados ainda para o pagamento de despesas com educação dos filhos do casal, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Além disso, eles foram  empregados na compra de artigos de luxo como sapatos, bolsas de grifes caras e outros itens individuais.

 A filha de Cunha, Daniele Ditz,  poderá se juntar ao pai e à Cláudia como investigada pela Lava Jato, por ser apontada como uma das responsáveis pelo funcionamento do esquema e sua suposta participação na abertura de uma das empresas, a Netherton.

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#Corrupção #Eduardo Cunha