A força de #Eduardo Cunha (PMDB-RJ) dentro da #Câmara dos Deputados é notória. Tanto que, com aliados fiéis, e um conhecimento inigualável do Regimento Interno da Casa, ele consegue protelar há quase oito meses seu processo no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. Mas parece que, na próxima terça-feira (14), todo esse arrastado terá seu fim. O presidente do Conselho marcou para essa data a votação do relatório em que pede a cassação do presidente afastado da Câmara. 

Mas, como era de se esperar, Eduardo Cunha pretende cair lutando até o último suspiro, pelo menos dentro da Câmara dos Deputados. Quando o assunto é o Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha já não é tão altivo assim.

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Eduardo Cunha acredita que pode escapar da cassação na Câmara dos Deputados, e baseia sua estratégia de defesa em dois objetivos, que já estão sendo colocados em prática.

 1 - Derrubar o parecer de Marcos Rogério (DEM-RO) no Conselho de Ética que pede sua cassação e aprovar uma pena mais branda, 3 meses de afastamento. 

2 - Aprovar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) um parecer que impede que o plenário da Câmara reverta sua pena.

Tia Eron

Na última reunião do Conselho de Ética, realizada na terça-feira (7), 19 deputados titulares anunciaram seus votos. 10 favoráveis a Eduardo Cunha e 9 contrários ao presidente e que acatam o relatório de Marcos Rogério pedindo sua cassação. Apenas Tia Eron (PRB-BA) não compareceu a reunião do Conselho, e segue sendo o voto decisivo para o futuro de Eduardo Cunha.

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Caso Tia Eron vote contra Cunha, haverá um empate em 10 a 10, e o voto de desempate será do presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), rival de Cunha declarado.

Durante a reunião, João Carlos Bachelar (PR-BA), aliado do presidente afastado, apresentou voto em separado, discordando da cassação, em que pede o afastamento por 3 meses de Eduardo Cunha, caso seja condenado.

CCJ

A outra fase do plano começou a ser construída no dia 31 de maio, quando o presidente interino, Waldir Maranhão (PR-MA), fez uma consulta à Comissão de Constituição e Justiça com "dúvidas" sobre rito de processos de decoro parlamentar. 

A relatoria dos questionamentos foi passada a Arthur Lira (PR-AL), um dos investigados de seu partido pela Lava Jato, assim como Maranhão, e que é um seguidor fiel de Eduardo Cunha, da mesma forma, Maranhão. 

O parecer de Lira, obviamente, beneficia Eduardo Cunha. Segundo o relator na CCJ, o plenário deve deliberar sobre uma Resolução do Conselho de Ética, e não o parecer. Que cabem emendas - vide sugestões de outras penas mais brandas.

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Além de recomentar que o investigado tenha o processo arquivado se a proposta for rejeitada em plenário. 

Ao que parece, a CCJ está esperando o Conselho de Ética deliberar primeiro sobre o processo contra Cunha. Na última quinta-feira (9), foi adiada pela terceira vez a votação do parecer de Arthur Lira que beneficia o presidente da Câmara afastado. Com a necessidade de 34 integrantes para iniciar a sessão, apenas 16 parlamentares estiveram presentes.

Zavascki

Mas se Eduardo Cunha possui uma estratégia e acredita piamente em sua força perante os deputados, não se pode dizer o mesmo quando o assunto é STF. O ministro Teori Zavascki tem em mãos um pedido de prisão de Eduardo Cunha feito pela Procuradoria Geral da República (PGR). Para quem conhece o modos operandi de Zavascki, é sabido que ele aguarda a Câmara deliberar sobre a cassação de Eduardo Cunha, porém, caso o presidente afastado tome mais alguma medida de intromissão, é bem possível que o ministro resolva acatar o pedido da PGR.

Foi exatamente esse o rito que aconteceu para o afastamento de Cunha de suas funções como deputado. A PGR pediu, Zavascki aguardou uma sinalização da Câmara, como não aconteceu, ele entrou em ação e resolveu o caso. #Dentro da política