Após Romero Jucá, do Planejamento, e Fabiano Silveira, da Transparência, o presidente interino da República #Michel Temer viu um terceiro ministro cair do seu #Governo. Nesta quinta-feira, 16, o então titular da pasta do Turismo, Henrique Eduardo Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, pediu demissão logo após ser citado na delação premiada de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

Segundo as informações prestadas por Machado, Alves era beneficiário de propina. O antigo mandatário da Transpetro disse que repassou ao peemedebista R$ 1,55 milhão em propina entre os anos de 2008 e 2014. Assim como uma porção de políticos com cargos importantes em Brasília, Henrique Eduardo Alves também enfrenta inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta de suposto envolvimento com a Operação Lava Jato, que desmembra desvios ilegais de verbas públicas oriundas da Petrobras.

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Em pouco mais de um mês, esse é o terceiro ministro da primeira nomeação feita por Michel Temer que deixa o governo interino. O primeiro a sair foi Romero Jucá, um dos homens fortes do novo governo, mas que não suportou a pressão após ter uma conversa telefônica vazada por Sérgio Machado. Nela, Jucá fala em "estancar a sangria", em uma clara referência aos efeitos políticos negativos que as investigações da Lava Jato vinham causando.

Em outro vazamento de Machado, Fabiano Silveira deu orientações para o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, e criticou a Lava Jato. O episódio gerou um tremendo desconforto no governo e Silveira tomou a opção de se desligar do cargo. Ele entregou uma carta de demissão a Michel Temer no dia 30 de maio.

Alves diz que não queria "constrangimentos" ao governo

Prática cada vez mais corriqueira entre os ministros afastados, Henrique Eduardo Alves também direcionou uma carta ao presidente Michel Temer.

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No documento, ele diz que sua decisão de se afastar do Ministério do Turismo é, entre outras razões, pelo seu desejo de não querer criar "constrangimentos" para o novo governo. Alves também ocupou a pasta do Turismo durante o governo Dilma Rousseff, mas se afastou do cargo um dia antes do PMDB anunciar o desembarque oficial do governo.

"O momento que estamos vivendo em nosso país requer atitudes de cunho pessoal mas em benefício do bem maior. Estou há 46 anos no PMDB, que em 2016 foi chamado para tirar o Brasil de uma grave crise. Eu não pretendo criar constrangimentos ao novo governo, que em suas próprias palavras é de salvação nacional. Com esta carta, entrego o cargo de ministro do Turismo", escreveu Alves.

Antes de se tornar ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves havia presidido a Câmara dos Deputados entre 2013 e 2015. Foi sucedido justamente por Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro, que hoje está afastado do cargo e enfrenta um processo de cassação junto ao Conselho de Ética.

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Em 2014, Alves concorreu ao governo do seu estado, o Rio Grande do Norte, mas perdeu no segundo turno para Robinson Faria, do Partido Social Democrático (PSD), que somou mais de 45%.