Foi protocolado no início da noite de ontem, quarta-feira, 1º de junho, pelo ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que também já foi ministro da Justiça, a prévia da defesa que foi preparada para a presidente da República Dilma Vana Rousseff (PT), afastada por 180 dias do cargo principal no Palácio do Planalto, em Brasília, desde o dia 11 de maio, quando foi derrotada na primeira votação do #Impeachment na plenária do Senado Federal.

Dentre os fatos novos inseridos no documento de defesa para Dilma, estão as gravações vazadas do ex-presidente da Transpetro (empresa “braço” da Petrobrás), Sérgio Machado, também ex-senador, com nomes ligados ao atual presidente interino da República, Michel Temer (PMDB), como Romero Jucá (que pediu demissão do cargo interino de ministro do Planejamento), e Fabiano Silveira (que também pediu demissão do cargo que exercia, a menos de 20 dias, como ministro da Transparência).

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De acordo com o advogado José Eduardo Cardozo, que voltará a defender #Dilma Rousseff, desta vez dentro do processo de impeachment em tramitação no Senado, as gravações vazadas de Sérgio Machado comprovam que a presidente da República foi retirada do seu cargo por políticos interessados em “barrar” o avanço da Operação Lava Jato com o intuito de se protegerem das investigações conduzidas pelo juiz Sérgio Moro em Curitiba, capital paranaense.

Ainda segundo a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff, as acusações que foram usadas contra ela, de ter realizado as “pedaladas fiscais” e de ter editado decretos de créditos suplementares sem a concessão do Congresso Nacional, o que, segundo os apoiadores do impeachment, comprova crime de responsabilidade por parte da presidente da República, são apenas “pretextos” de determinados políticos para derrubar uma presidente eleita legitimamente nas urnas, e para, com isso, tomar o poder e impedir o andamento da Lava Jato, que, segundo a defesa petista, é o motivo maior para a mobilização em prol do impeachment de Dilma, na Câmara e no Senado.

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“Argumento é válido, mas não garante volta de Dilma”, diz cientista político

Para o cientista político Jorge Gomes, a defesa de Dilma Rousseff encontrou bons argumentos, mas será preciso mais esforços para garantir a volta da presidente ao poder.

“O advogado José Eduardo Cardozo já provou que é bastante esforçado e inteligente e está criando uma boa defesa para Dilma Rousseff. A questão do vazamento das gravações envolvendo nomes fortes do PMDB deve sim ser trazida à tona pela defesa da presidente afastada. O argumento é válido, mas não garante a volta de Dilma. Isso porque, ainda é preciso mais esforços, sobretudo, com relação à coleta de provas concretas de que políticos tramaram a saída da presidente para ‘blindar’ a Lava Jato. As gravações vazadas não são tão concretas assim, apesar de bastantes suspeitas.”, afirma Gomes.

“Eu particularmente só acredito no retorno de Dilma Rousseff ao comando do Brasil caso senadores, que votaram a favor do afastamento, voltem atrás e recuem da ideia de derrubar a presidente.

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Se novas escutas telefônicas comprometedoras continuarem vazando para a opinião pública, é possível que o governo interino de Michel Temer perca forças e o apoio à volta de Dilma cresça, influenciando os senadores que ainda não têm um posicionamento cristalizado sobre o tema.”, conclui o cientista político. #Crise-de-governo