O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou um ofício para que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar o vazamento dos pedidos de prisão de membros da alta cúpula do PMDB.

No último dia 07, a imprensa divulgou a informação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) estaria há pelo menos uma semana com os documentos que pedem o encarceramento de quatro grandes caciques do Partido do Movimento Democrático Brasileiro: o senador e ministro licenciado do Planejamento Romero Jucá, o presidente do Senado Renan Calheiros, o ex-presidente José Sarney e o presidente afastado da Câmara #Eduardo Cunha.

Todos eles são acusados de tentar obstruir as investigações da Operação #Lava Jato.

Publicidade
Publicidade

Em maio, Jucá, Renan e Sarney protagonizaram áudios divulgados pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, nos quais eles discutem meios para impedir a continuidade da Lava Jato. O pedido de prisão de Renan, ainda, inclui o afastamento de suas funções como presidente do Senado. Já no caso de Sarney, por causa da idade, ele ficaria em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.

Apesar de Cunha não ter sido flagrado em áudios, o Ministério Público acredita que a decisão do Supremo de afastá-lo da presidência da Câmara não foi suficiente e ele ainda estaria interferindo no comando da Casa.

Não fui eu

Na sexta-feira, dia 10, Janot negou que a PGR tenha sido responsável pelos vazamentos. Ele chamou de "levianas" as acusações de que o órgão teria vazado os pedidos de prisão para pressionar o STF: "Envidarei todos os esforços que estiverem ao meu alcance para descobrir e punir quem cometeu esse crime.

Publicidade

Como hipótese investigativa inicial, vale a pergunta: A quem esse vazamento beneficiou? Ao Ministério Público não foi", disse em entrevista à imprensa.

Então quem foi?

Sem citar nomes, o chefe do Ministério Público afirmou que a teoria de que o vazamento partiu da Procuradoria Geral da República foi disseminada por "figuras de expressão nacional".

Ele provavelmente estava se referindo ao ministro do STF Gilmar Mendes, que insinuou, na semana passada, que as informações teriam sido divulgadas pela própria PGR. Para o procurador, os responsáveis "deveriam guardar imparcialidade e manter o decoro" em vez de espalhar hipóteses que nem ao menos foram investigadas.

Esta não é a primeira vez que Janot pede que se apure vazamentos de informações sigilosas da Lava Jato. Em julho de 2015, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar o vazamento da delação premiada de Ricardo Pessoa, empresário e dono da UTC.

Agora, a nova investigação está nas mãos do delegado e diretor-geral da PF, Leandro Daiello. #Corrupção