Jorge Viana, senador (PT/AC), responsável pela condução do processo de impeachment na casa, é o próximo na linha sucessória de Renan Calheiros (PMDB). Viana é um dos maiores defensores da Presidente Dilma e também um dos mais exacerbados na sua defesa. O petista, que tem grande interesse em barrar a #Lava Jato, foi pego em gravação tentando desmoralizar o Juiz Sérgio Moro.

Segundo fonte, em março de 2016, após a condução coercitiva de Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento à Polícia Federal, o senador petista telefonou para o advogado do ex-presidente, Roberto Teixeira, e sugeriu que tomassem providências nada legais contra o Juiz Federal.

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A fim de desmoralizar Sérgio Moro, Viana propôs uma ação criminosa como estratégia para tumultuar e barrar a Lava Jato. Mas não sabia que a conversa estava sendo gravada, com a devida autorização judicial. E, assim, expôs toda sua trama ao advogado de #Lula.

Conversa ao telefone

Jorge Viana manteve a conversa criminosa por aproximadamente três minutos. Na interlocução, transformou a investigação da Lava Jato em um confronto político. Em sua conversa, diz que o PT teria como "virar o país de cabeça para baixo". Disse ainda que o ex-presidente precisava transformar a investigação em curso em um confronto político. Para que isso acontecesse, Jorge recomendou a Roberto Teixeira que Lula convocasse uma coletiva desafiando Moro. Disse o senador ao telefone que o ex-presidente deve se rebelar e dizer que não mais aceita que Sérgio Moro conduza a Lava Jato.

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Durante a conversa, o advogado de Lula se mostra reticente e mais calado, se resumindo a dizer apenas 'perfeito'. Em contrapartida, o petista se mostrou bastante ofensivo e incendiário. Simplesmente sugeriu ao advogado que Lula passasse a desacatar o Juiz federal, provocando sua própria prisão por desacato à autoridade. Disse, ainda, que o ex-presidente deveria dizer a Moro que o mesmo estava agindo fora da lei e chamá-lo de "bandido". Falou também que Lula deveria dizer para Moro prendê-lo, porque agora ele o estava desafiando. Argumentou Jorge Viana que, só assim, o Juiz viria a prendê-lo e Lula se transformaria em um preso político. A partir daí, o PT faria o país virar de "cabeça para baixo".

Os cargos ocupados por Viana

O senador do PT, irmão de Tião Viana (PT- AC), já foi governador do Acre e prefeito da capital do estado. Além de ser irmão de Tião Viana (PT/AC), que também já foi senador e ocupou a presidência do senado em 2007, com o afastamento de Renan Calheiros. A família, que não possui ficha limpa, já enfrentou, em 2010, o pedido de cassação de seus mandatos por irregularidades nas suas campanhas.

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Apesar disso, em 2015, o TSE decidiu arquivar o pedido por falta de provas, mesmo após a Polícia Federal apreender computadores, números de títulos eleitorais, listas de nomes e locais de votação.

No mesmo ano, Tião Viana foi alvo de investigações novamente por ser citado na delação de Paulo Roberto Costa, por recebimento de propina. A força-tarefa da Lava Jato investigava a empresa Iesa Óleo e Gás. O valor da propina recebido pelo senador era de R$ 300 mil. Não obstante, em fevereiro/2016, a PGR arquivou o inquérito, contrariando a Polícia Federal. A decisão partiu do STJ, que ainda não se justificou. A preocupação é de que Jorge Viana venha a substituir Renan Calheiros no final do processo de impeachment, o que será catastrófico para o país, pois Dilma poderia voltar à Presidência. #Dilma Rousseff