Marcos Valério foi um dos condenados do esquema Mensalão, escândalo que acobertou a #Corrupção política  entre o período de 2005 a 2006 e que alcançou alguns protagonistas do Governo Federal do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outros membros integrantes de vários partidos políticos.

O "Operador do Mensalão", como era chamado Valério, deve assinar o acordo de delação premiada o mais rápido possível, conforme anteciparam os seus advogados. A notícia foi confirmada nesta sexta-feira (17), pois a defesa de Valério entregou ao Ministério Público da capital mineira, em Belo Horizonte, uma proposta que visa acabar com o sigilo dos integrantes do escândalo do Mensalão.

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O empresário não concorda com a condenação que lhe foi imposta, ou seja, os 37 anos com regime inicial fechado para o cumprimento de pena. Segundo ele, os verdadeiros responsáveis não foram nem indiciados, o que significa a liberdade e a não punibilidade de todos.

As declarações do publicitário Marcos Valério devem agitar ainda mais o cenário político em Brasília, segundo os advogados de defesa, serão fatos novos que envolvem parlamentares do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e do Partido dos Trabalhadores (PT), vinculados ao processo do Mensalão.  

A baixa popularidade dos partidos se deve ao envolvimento de autoridades parlamentares do alto escalão, acusados de participação no maior esquema fraudulento de propinas/corrupção do país, o que por ventura, vem sendo desvendado por meio de investigações da Operação Lava Jato.

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Em informações do site UOL, o advogado Jean Robert Kobayashi Júnior, responsável pelas negociações do acordo de delação, deixou claro que Valério vai delatar aproximadamente 20 nomes, inclusive, de parlamentares com prerrogativa de foro privilegiado de vários partidos.

O advogado lembrou ainda que algumas personalidades políticas já estão envolvidas diretamente no escândalo da operação da #Lava Jato, justamente "a quem a defesa de Valério encaminhou uma proposta de colaboração no ano passado", afirmou a reportagem, ao referir-se à força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba.

Valério foi preso em 2013, na região mineira de Belo Horizonte e se instalou no Centro de Detenção Nelson Hungria, na cidade de Contagem, onde trabalha para reduzir a sua pena. Na época do Mensalão, o empresário foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Conforme destaca o jornal Estadão, as conversas realizadas entre interlocutores da convivência de Valério apontam a sua indignação, pois segundo eles, as argumentações de Valério são sempre em tom de reclamações: que "cansou de apanhar" e que "agora vai começar a bater", relatou o jornal.

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O "Operador do Mensalão" sonhava em cumprir pena de, no máximo um ano e meio em regime fechado, mas pelo visto, a realidade distanciou-se dos planejamentos de Valério, que  aguarda há mais de três anos pelo benefício de regime semiaberto.

Tudo indica que a situação pode piorar, pois se encontra em curso uma nova denúncia, só que desta vez, do Mensalão Mineiro, que pode aumentar o saldo da pena de Valério, caso seja condenado novamente; o julgamento deve ocorrer no próximo mês.

Além disso, há fortes indícios entre o protagonista do Mensalão com a Lava Jato, as suspeitas ficaram evidentes após ter o seu nome citado por diversas vezes pelos empresários e empreiteiros colaboradores da #Justiça, os quais aderiram ao acordo da delação.

Portanto, as circunstâncias promovem urgência das narrativas de Valério, as quais prometem acelerar e simplificar os trabalhos da Polícia Federal junto ao Ministério Público em Curitiba, pois as revelações dos principais mentores junto à comprovação dos fatos serão suficientes para deflagrar diversas etapas da Lava Jato. Os advogados ressaltaram ainda que a petição com a anuência de Valério já tinha sido protocolada no ano passado, faltando somente a homologação nos próximos dias, pelo relator Ministro Teori Zavascki.