Em uma matéria publicada pela revista "Veja", revelou-se que o ex-ministro Antônio Delfim Netto deverá "prestar esclarecimentos" à #Polícia Federal (PF), em decorrência de indícios encontrados pela força-tarefa da Operação Lava Jato,  os quais apontam a possível participação do ex-parlamentar no esquema de #Corrupção.

O nome do ex-ministro foi encontrado em documentos apreendidos na sede do departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht. O local é uma espécie de ambiente confidencial, ou seja, um departamento ao qual apenas poucas pessoas tinham acesso.

A suspeita foi fortalecida porque o rol de nomes contidos nas planilhas, segundo os depoimentos de funcionários da empreiteira que estão colaborando com a justiça, referem-se ao controle de pagamentos das vantagens indevidas (propinas).

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Ainda segundo eles, os pagamentos são realizados em troca de favores ou estimativas licitatórias, concedidas pelos gestores/agentes representantes do Governo Federal.

Nesta mesma planilha foi visualizado o repasse no valor de R$240 mil, entregues no dia 22 de outubro de 2014, totalmente em espécie, o que significa que foi em dinheiro vivo, ao ex-parlamentar Delfim Netto. Outro agravante foi com relação ao local da entrega que, por sua vez, se realizou no escritório de advocacia pertencente a Luiz Appoloni Netto, advogado e sobrinho do acusado, na capital paulista.

Sobrinho recebeu dinheiro em nome do tio

Apolonio Netto já é conhecido da Lava Jato. Em março/2016, após a descoberta da negociação ocorrida em seu escritório, ele foi conduzido coercitivamente para o cumprimento da 26.ª fase da #Lava Jato, batizada como operação Xepa, para prestar esclarecimentos sobre o recebimento da mesma quantia. Na época, em depoimento, revelou não se lembrar de tal negociação.

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Acontece que nessa segunda-feira (6) o próprio Appolonio, de forma espontânea, enviou um documento oficial à sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba (PR), documento esse que atesta o recebimento da quantia da qual, outrora, negou o recebimento.

O ofício dispõe a seguinte consideração: "referidos valores não lhe pertencem, apenas foram recebidos no endereço acima mencionado a pedido do economista Antônio Delfim Netto, o qual, por motivos particulares e em razão de sua avançada idade, não quis receber em seu escritório", afirmou a reportagem da revista.

Diante das circunstâncias, a delegada da Polícia Federal, Renata da Silva Rodrigues, imediatamente, intimou Delfim Netto para depoimento para explicações dos fatos cuja veracidade será analisada. Ademais, as dúvidas com relação ao dinheiro vivo e a confirmação dos motivos pelos quais marcaram o encontro da entrega da quantia no escritório de Appolonio.

O nome do ex-ministro já tinha sido mencionado na Operação através da empreiteira Andrade Gutierrez, que acusou Delfim de envolvimento e participação no esquema da Usina Belo Monte. Entretanto, a suspeita não prosperou, pois os fatos não se confirmaram.

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Diferentemente do contexto atual, que apresenta um conjunto probatório sinalizando a participação do economista com o recebimento de propinas, investigado pela Operação Lava Jato.

Após a divulgação pela mídia do possível envolvimento do ex-parlamentar, a Odebrecht não se manifestou, pois as negociações de delações premiadas não permitem comentários relacionados às investigações.

Tio e sobrinho rejeitam acusação de ato ilícito

Já os advogados de defesa do ex-ministro Delfim Netto informaram que os valores são vinculados aos serviços prestados de consultoria nas áreas econômicas, nas quais o ex-ministro possui domínio. Lembraram ainda que todos os impostos foram recolhidos e estão em dia com a Receita Federal.

Por fim, Appolonio, sobrinho do acusado, esclareceu que todas as declarações que elucidam os fatos já foram prestadas, portanto, não há o que suspeitar de qualquer irregularidade a respeito das ocorrências presentes, afirmou a defesa do advogado.