Depois de ver dois de seus ministros - Romero Jucá (PMDB-RR) e Fabiano Silveira - entregarem os cargos por terem falado demais, talvez tenha chegado a hora do segundo escalão de Michel Temer, os lideres na Câmara, Senado e Congresso, começaram a cometer seus erros. Isso porque, a líder do governo no Congresso Federal, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), afirmou com todas as letras que, em sua opinião, "não teve esse negócio de pedalada" durante entrevista à rádio Itatiaia no último sábado (25). 

Segundo a senadora falou à rádio, para ela, não houve pedaladas fiscais, e a presidente foi afastada do cargo porque o país estava "paralisado".

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A líder de Temer ainda completou dizendo que Dilma não tinha mais apoio do Congresso nem da população para continuar no cargo. Rose argumentou que o pais estava "sem direção", sendo essa conjuntura de fatores o real motivo do afastamento da presidente eleita. 

Sobre a votação do impeachment que será feita pelo plenário do Senado, a líder de Temer acredita que Dilma não irá escapar, apesar de todo o processo ser baseado nas famosas pedaladas fiscais e os senadores terem que julgar o caso pelo suposto crime de responsabilidade fiscal. 

Defesa de Dilma

As palavras da senadora soaram como a 5ª sintonia de Beethoven nos ouvidos da defesa da presidente afastada. José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e ex-advogado geral da União, atual advogado de defesa de Dilma, afirmou que irá anexar a fala da peemedebista na defesa da presidente. 

Segundo ele, a fala de Rose mostra claramente o "desvio de poder" com relação a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma.

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Essa argumentação já vinha sendo sustentada por Cardozo há algum tempo. O advogado da petista por diversas vezes declarou que a abertura de impeachment era uma espécie de vingança de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contra Dilma por ela não ter o apoiado em seu processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Cardozo ainda completou dizendo que a fala da senadora foi "transparente".

Um fator interessante que pode contar a favor da defesa é o fato da senadora Rose de Freitas, além de ser líder no Congresso do governo interino, é a presidente da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO). Isso, na argumentação de Cardozo, prova que ela se debruçou e estudou profundamente sobre a matéria.

Falou mais

E, ao que tudo indica, a senadora estava com a língua afiada e disposta a falar. Além de dar fôlego à defesa, Rose ainda criticou as escolhas feitas pelo presidente interino para montar seu ministério.

Segundo afirmou, ela não levaria para fazer parte da sua lista de ministros "ninguém que tivesse qualquer processo".

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A senadora ressaltou, porém, que Temer é próximo de seus ministros e "conhecia melhor essas pessoas" (Romero Jucá, Fabiano Silveira e Henrique Eduardo Alves).

Depois da queda dos ministros falastrões, é preciso esperar quais serão as consequência dessa entrevista, no mínimo, sincera da líder do governo Temer no Congresso. Vide os outros casos, é possível que essa liderança não dure muito tempo.  #Dilma Rousseff #Michel Temer #Dentro da política