Nesta terça-feira (21), #Eduardo Cunha (PMDB/RJ) concedeu entrevista coletiva à imprensa, por ele convocada. Até então, havia rumores sobre sua possível renúncia à presidência da Câmara dos Deputados. Entretanto, Cunha repetiu o discurso que vem fazendo desde que foi afastado e, sem citar nomes, afirmou que alguns "não querem minha cassação, querem minha extinção".

Contas na Suíça

Eduardo Cunha declarou estar "absolutamente convicto" de que não mentiu na CPI da Petrobras. Ele insistiu em dizer que não tem contas no exterior, mas sua mulher sim. Cunha tentou convencer dizendo que as contas da esposa, a jornalista Cláudia Cruz, estavam dentro dos padrões do Banco Central (menos de 100 mil dólares) e, portanto, ela não tinha obrigação de declarar.

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"Ela não é deputada", disse Cunha. Sobre os documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça para o Brasil, o deputado persistiu: "não tem como provar".

Cunha na #Lava Jato

Réu no Supremo Tribunal Federal (STF), sob acusação de ter recebido propina do esquema de corrupção da Petrobras, Cunha negou que faria acordo de delação: "Eu não tenho crime praticado e não tenho o que delatar".

Sobre o pedido de prisão, Cunha classificou como "absurdo" e criticou o procurador-geral da República Rodrigo Janot, dizendo que o procedimento foi seletivo. O STF ainda não concluiu sobre o caso e deu prazo para Cunha se defender. O deputado entrou com pedido de habeas corpus na segunda-feira (20).

O afastamento do deputado se deve à decisão do STF, que acredita que Cunha utilizava o cargo para evitar investigações da Operação Lava Jato contra ele.

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Não obstante sua insistência em se dizer inocente, na quarta-feira (22) o STF deve autorizar uma segunda ação penal contra Eduardo Cunha por evasão de divisas, corrupção e lavagem de dinheiro. A acusação é de que as contas no exterior eram abastecidas com dinheiro desviado da Petrobras.

Renúncia e Protestos

Diversamente do que se especulava, Eduardo Cunha repetiu que não renuncia ao cargo e nem ao mandato. Segundo ele, estes boatos se devem ao fato de ter ficado muito tempo calado e prometeu que será mais assíduo na mídia.

Durante a entrevista, que durou mais de duas horas, manifestantes protestaram em frente ao hotel. A seguir, deputados questionaram a TV Câmara, que transmitiu a entrevista. Estando afastado, teria Cunha o direito à transmissão?