Em Belém, o Movimento Ocupar a República ganha fôlego desde que foi criado, em março de 2016. Sem vínculo com nenhum partido político, o movimento nasceu da inquietação de um grupo de amigos com o encaminhamento do processo de #Impeachment em curso no Brasil, o que consideram um golpe de Estado.

Desta inquietação, surgiram outras: para além das discussões e manifestações contra o golpe, o grupo avalia que o movimento deve ampliar os debates acerca da situação política do Brasil. Assim, as ações de mobilização e reocupação dos espaços públicos deverão ser mantidas e fortalecidas como forma de incentivar a participação cidadã e reinventar a democracia.

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O nome Ocupar a República remete à ocupação de um espaço tradicional de Belém – a Praça da República, na esquina da Avenida da Paz. O ponto de encontro dos integrantes do movimento fica próximo ao bar mais antigo da cidade: o Bar do Parque, um dos principais pontos históricos de Belém. Construído no auge do ciclo da borracha e arquitetado de acordo com a estética Art Noveau, o estabelecimento lembra os bares e cafés parisienses a céu aberto e proporciona, ainda, uma bela vista do Theatro da Paz, um dos principais exemplares de arquitetura neoclássica no Brasil.

Cercada de símbolos, a praça tornou-se o local privilegiado para os encontros e convergência política dos integrantes do movimento, que ocorrem todas as sextas-feiras, a partir das 19h. Entre os integrantes, o dia de encontro vem sendo chamado de “Sexta da Democracia”.

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A ideia geral do Ocupar a República é recuperar o senso de comunidade, reocupando as praças, ruas e outros espaços de luta, ampliando, olho no olho, a rede de pessoas que compartilham ideais e objetivos comuns, e que têm compromisso com a verdadeira democracia. Nos encontros são discutidos modos de planejar e desenvolver ações que contribuam para a ampliação da participação cidadã e contam com a participação de intelectuais e artistas da terra.

Para Jean-François Deluchey, Doutor em Ciências Políticas e Políticas Públicas e Professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) - um dos idealizadores do movimento - o movimento pode, efetivamente, contribuir para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, igualitária e inclusiva. "Buscamos democratizar a política, convergir pautas e lutas com o exercício de novas práticas políticas e ativismos na defesa intransigente dos direitos sociais. Não temos partido político e não os rejeitamos; somos um grupo de pessoas interessadas em aglutinar a democracia contra o golpe de Estado em curso no Brasil e pela ampliação de direitos", enfatiza Jean-François.

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O principal foco do movimento é lutar contra o impeachment de Dilma Rousseff, mas existem outras pautas, as quais agregam uma multiplicidade de identidades e causas incluindo a luta contra o fascismo e o aprofundamento das práticas democráticas no país.

O movimento avança com novas formas de mobilização por meio das redes sociais e adesão de outros movimentos, como os que combatem a homofobia e a violência contra as mulheres. Esse encontro de diversidades dos movimentos é considerado positivo, pois aponta para um avanço no reconhecimento entre sujeitos e organizações, e remetem à democratização e subjetivação das relações sociopolíticas.

Jean-François considera que o grande desafio é a mobilização popular: “Mobilizar a população é difícil, sobretudo com a perda de credibilidade na atividade política”. Entretanto, ele acredita que “é possível derrubar o golpe, refundar a democracia brasileira a partir de uma reforma política popular”.

Os integrantes do movimento, que aumenta a cada encontro, defendem que é preciso mudar a política brasileira de baixo pra cima. #Manifestação #Crise no Brasil