Na manhã da última quinta-feira (23), foi deflagrado um desdobramento da Operação Lava Jato, batizado de 'Custo Brasil', com o resguardo da Justiça Federal de São Paulo (SP). Entre as 10 ordens de prisões cumpridas pela Polícia Federal, encontra-se a do marido da Senadora Gleisi Hoffmann (#PT-PR), o ex-ministro Paulo Bernardo, que conduziu os ministérios do Planejamento e das Comunicações dos governos Lula e Dilma Rousseff.

De acordo com o jornal Estadão, o petista foi preso por ordem do juiz federal Paulo Bueno de Azevedo para evitar "o risco à ordem pública e à aplicação da lei penal".

Bernardo está sendo acusado do desvio de aproximadamente R$ 100 milhões entre os períodos de 2010 e 2015.

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A fraude contou com a participação da empresa Consist que atuava na área de tecnologia da informação e respondia pela administração das fraudes dos contratos de empréstimos consignados e disponibilizados aos vários servidores públicos federais e aposentados. Além disso, especula-se que o ex-ministro recebeu mais de R$ 7 milhões em propinas pelo seu desempenho ao angariar recursos para o Partido dos Trabalhadores.

Após o tramite normal dos exames de corpo de delito, os acusados, incluindo Paulo Bernardo, foram encaminhados para a sede da Polícia Federal na Zona Oeste de São Paulo, no Bairro da Lapa, onde passaram a madrugada desta sexta-feira, conforme estabelecido no mandado de prisão.

Pela manhã, todos os presos foram direcionados para a 6ª Vara Criminal, competente para colheita dos primeiros depoimentos.

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Até o momento, alguns acusados não quiseram se manifestar. A defesa de Paulo Bernardo argumentou que, mesmo ainda não tendo acesso ao inquérito, a prisão não estaria de acordo com os requisitos legais.

Detalhes relevantes

O ex-senador Delcídio do Amaral seria um dos principais responsáveis pelo 'dossiê' de Paulo Bernardo. Por ser um homem de inteira confiança do Partido dos Trabalhadores (PT) e aliado fiel de Dilma Rousseff, se tornou líder do Governo dentro do Senado Federal.

Apesar de tudo parecer tranquilo, Delcídio teve seu mandado de prisão expedido em novembro de 2015, pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condução da Operação Lava Jato. Segundo o juiz, o ex-senador demonstrou claramente o intuito de atrapalhar e obstruir as investigações da #Lava Jato, por tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró (ex-presidente da Petrobrás), evitando que este último aceitasse colaborar com a Justiça por meio do acordo de delação premiada. Toda a conversa foi gravada pelo próprio filho de Nestor.

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A revista "Veja" publicou algumas declarações de Delcídio quando o mesmo se propôs a colaborar com a Justiça. Em referencia à Paulo Bernardo, disse que ele é o "operador financeiro" de sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), uma das principais anfitriãs do Governo Dilma. Informou também que a Consist é uma das maiores colaboradoras do Partido dos Trabalhadores, ou seja, um verdadeiro "braço financeiro" que praticava atos ilícitos com a finalidade de desviar elevados valores. Por fim, Delcídio afirmou à Veja que Bernardo foi "um dos melhores captadores de recursos do PT". #Corrupção