O juiz federal Sergio Moro aceitou, nesta quinta-feira (9), denúncia contra a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, mulher do presidente afastado da Câmara #Eduardo Cunha, por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Além dela, também foram indiciados o empresário português Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, o lobista João Augusto Rezende Henrique e o ex-diretor da Petrobras, Jorge Luiz Zelada. Com isso, os quatro ganham status de réus da Operação Java Jato.

Cláudia Cruz agora faz companhia ao marido. Em março deste ano, Cunha também se tornou réu, só que pelo STF -- isso porque parlamentares têm foro privilegiado, ou seja, não podem ser investigados por juízes de primeira instância.

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Na ocasião, os ministros decidiram, por unanimidade (10 a 0), processar o deputado por #Corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A filha de Cunha, Danielle Dytz, desta vez não foi denunciada, mas continua sob investigação.

De acordo com o Ministério Público Federal, há fortes indícios de que parte do dinheiro desviado da Petrobras foi usado para abastecer contas no exterior no nome de off-shores e trusts usados para pagar cartões de crédito internacionais utilizados por Cláudia.

Entre 2008 e 2014, a força-tarefa da Lava Jato apurou que ela gastou aproximadamente US$1 milhão de dólares com os cartões, que incluíram hospedagens em hotéis de luxo, jantares em restaurantes caros e compras de outros artigos luxuosos em cidades como Miami, Nova York e Paris. Além disso, os investigadores acreditam que a jornalista "tinha plena consciência dos crimes que praticava", sendo a única controladora da Köpek - off-shore suíça - cujo dinheiro teve origem em diversas contas de Cunha no exterior.

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Para o MPF, as contas do deputado eram usadas para receber e movimentar propinas, oriundas de crimes cometidos por ele contra a administração pública.

Aliás, foram justamente os rastros deixados por Cunha que levaram ao indiciamento da mulher. Todos os indícios de crimes cometidos por Cláudia têm origem nas ações ilícitas do marido.

Casal a la Bonnie e Clyde

O fato de tanto Claudia Cruz quanto Eduardo Cunha serem réus da Lava Jato reviveu uma comparação que já era costurada há meses: o casal Bonnie & Clyde brasileiro.

A referência é o casal de assassinos e assaltantes de banco que aterrorizaram os Estados Unidos durante a Grande Depressão, nos anos 30, e que foram retratados em um filme de 1967, do diretor Arthur Penn, com Faye Dunaway como Bonnie e Warren Beatty no papel de Clyde.

Claudia e Cunha se conheceram na década de 1990, quando ele, então presidente da Telerj (por indicação do presidente Fernando Collor), se encantou pela jornalista durante uma entrevista. Durante os anos seguintes, ela integrou a equipe da Rede Globo, onde foi apresentadora de televisão.

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Cláudia é a segunda mulher de Cunha. No primeiro casamento, com Cristina Bastos Dytz, o deputado teve três filhos: Danielle (também investigada pela Lava Jato), Camilla e Felipe. Já com Cláudia, ele teve Bárbara.

Depois da união, a jornalista abandonou a profissão e passou a acompanhar o marido em viagens oficiais, as quais ela divulga com entusiasmo nas redes sociais, além de posar para colunas sociais. Aliás, foi justamente o padrão de vida luxuoso que chamou a atenção dos investigadores da Lava Jato. Segundo eles, os gastos de Cláudia são "totalmente incompatíveis com os salários e o patrimônio lícito" dela e do marido. #Governo