O empresário e sócio da Engevix, José Antunes Sobrinho, que é investigado pela Lava Jato, declarou, nesta sexta-feira, dia 24, em depoimento ao juiz Sérgio Moro que foi pressionado pelo então Senador Gim Argello (PTB-DF) a pagar uma contribuição de R$ 5 milhões de reais, para que a sua empresa não fosse incluída na CPI mista da Petrobras.

Este fato teria ocorrido em uma reunião informal na casa do próprio parlamentar, em Brasília, no ano de 2014. Nas palavras do empresário, o político afirmava que agia em 'nome' da própria CPI e usava de chantagem para com as empresas envolvidas a fim de obter vantagens financeiras: "Pagou, não vai ser chamado".

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Estas eram as palavras usadas pelo mesmo, na tentativa de barganhar os valores cobrados.

Além de depor como testemunha de acusação contra o senador Argello, José Antunes Sobrinho é investigado pela #Lava Jato na operação Radioatividade, iniciada em meados de julho de 2015. Nesta ocasião, foi preso também o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Pinheiro. Ele era suspeito de ter recebido R$ 4,5 milhões de propinas em virtude de obras realizadas nas usina nuclear de Angra dos Reis 3.

O sócio da Engevix não conseguiu fechar um acordo de delação premiada com a Justiça. Entretanto, no processo contra o senador do PTB, ele foi convocado a prestar esclarecimentos sobre a cobrança de propina a fim de evitar ser chamado pela CPI da Petrobras. 

O empresário confirmou a cobrança e disse que, após a reunião na casa do parlamentar, foi procurado algumas vezes pelos próprios assessores de Argello, que cobravam uma posição sobre a chamada 'contribuição' que a Engevix poderia repassar ao mesmo.

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Além disso, mensagens foram deixadas no seu WhatApp pelo lobista Júlio Camargo, também envolvido na 'negociação', e que se referiam a um possível pagamento  ao 'Gim Tônica', um alusão ao senador do PTB. As mensagens eram em tons de cobrança e reclamavam da falta de retorno do empresário.

No depoimento a Sérgio Moro, José Antunes Sobrinho negou que tenha feito qualquer repasse ao parlamentar e que essa decisão foi tomada em comum acordo com seu outro sócio, Gérson Almada - eles optaram por não cederem a qualquer tipo de chantagem. Perguntado pelo magistrado se a quantia seria cobrada do grupo de empresas possivelmente vítimas da chantagem, ele afirmou que o valor era cobrado individualmente, de cada uma delas. Como seria em torno de oito empresas, o valor que deveria ser arrecadado ficaria em torno de R$ 40 milhões. O empresário afirmou que nunca foi chamado para depor na CPI, mesmo sem ter pago o valor solicitado.

O senador Gim Argello foi preso por um dos desdobramentos da Lava Jato, a operação Vitória de Pirro.

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Ela apurou também o pagamento do valor solicitado por parte de Ricardo Pessoa, da UTC, ao parlamentar.  Além da UTC, a OAS de Léo Pinheiro teria participado da transação, assim como a Camargo Correa, a Odebrecht, a Toyo Setal e, possivelmente, a Queiroz Galvão. 

Segundo Antunes Sobrinho, nas conversas, Argello afirmava que possuía uma boa relação de amizade com o presidente da Comissão, na época, o senador Vital do Rêgo, que hoje ocupa a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União. #Corrupção #Senado Federal