O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em delação premiada, declarou que o ex-ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, foi o maior beneficiado com o esquema de propinas da subsidiária da Petrobras. Segundo o mesmo, o atual senador do PMDB pelo Maranhão era o político que recebia os maiores valores dentro do partido. O conteúdo dos depoimentos foram divulgados nesta quarta-feira, dia 15, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

A delação que denunciou vários partidos no esquema e a pressão de Edison Lobão

Sérgio Machado declarou à Justiça que foram feitos vários repasses de dinheiro a, pelo menos, seis partidos políticos.

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Conforme afirmou o delator aos procuradores da #Lava Jato, vários foram os pedidos de propinas por parte de vários políticos das mais diferentes siglas. São elas: PMDB, PSDB, PT, DEM, PP e PC do B. Todos estes detalhes constam de um documento de 400 páginas, onde estão transcritos todos os depoimentos do ex-diretor da Transpetro e que fazem parte do acordo de delação, homologado pelo ministro do STF, Teori Zavascki, que atua também como relator da operação coordenada por Sérgio Moro. Este tipo de instrumento poderá permitir que seu maior beneficiário possa ter a sua pena reduzida, em caso de condenação.

Com a relação ao senador maranhense, Machado declarou que foi bastante pressionado pelo parlamentar. Ele exigia que seus valores fossem mais elevados em relação aos demais. Lobão se valia do fato de que era ministro, além do mais, a Transpetro era subordinada ao Ministério das Minas e Energias, pasta a qual ele dirigia na época.

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Os advogados do então ministro negam que seu cliente tenha recebido qualquer soma da empresa.

De acordo com Sérgio Machado, em seu depoimento, ele manteve algumas reuniões com o então ministro Lobão. Após exigir a quantia mais elevada, o delator afirmou que deveria estudar a possibilidade. Em outro momento, o parlamentar exigiu a quantia de R$ 500 mil reais e que deveria ser paga mensalmente. O ex-diretor argumentou que só poderia repassá-lo a quantia de R$ 300 mil reais. O político não declinou. No momento seguinte, foram acertados os detalhes sobre a entrega do dinheiro, que deveria ser feito no Rio de Janeiro ao seu filho, Márcio Lobão.

Nas contas do delator, Edson Lobão embolsou a quantia total de R$ 24 milhões, na forma de propinas. Deste valor, R$ 2,7 milhões foram repassados, através de doações oficiais das empresas Queiroz Galvão e Camargo Corrêa ao diretório nacional do PMDB ou ao diretório da sigla, no Maranhão. No entanto, todos os repasses sempre eram marcados a um destinatário comum: o atual senador Lobão. #Governo #Corrupção