Entre investigados pelas polícias e pela justiça, e acusações de tentativas de barrar a operação Lava Jato, um fato sobre a equipe ministerial e de apoio de #Michel Temer passou desapercebido. Temer deu poderes nunca antes vistos a membros de igrejas universais ou pessoas ligadas à elas. São dois ministros que são bispos ou pastores, e uma secretária de Políticas para as Mulheres que por motivos religiosos é contra o aborto. Temer escolheu ainda, como líder da bancada governista da câmara, um deputado do PSC - Partido Social Cristão, de Marco Feliciano.

O namoro dos governantes com representantes evangélicos não é novo, e nem poderia ser.

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A Frente Parlamentar Evangélica, que reúne deputados evangélicos na Câmara dos Deputados, já tem cerca de 200 membros, ou 40% da câmara. Não foi à toa que o PT, durante a presidência de Dilma, vendeu a alma ao diabo e trocou demandas dos movimentos sociais por pautas mais conservadoras exigidas pelos evangélicos. Dessa forma, Dilma contou com o apoio dos bispos que iam às igrejas pedir votos para ela, e de parlamentares evangélicos que votavam a favor de seus projetos no congresso nacional.

Os "ministros do altar"

Um dos ministros-bispos de Michel Temer é o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcos Pereira. Braço-direito de Edir Macedo, dono da Igreja, Pereira teve ascenção meteórica na TV Record, onde se tornou vice-presidente, em 2003. Foi ele o responsável pela reformulação da emissora, entre os anos de 2003 e 2009, que a levou à vice-liderança de audiência no Brasil.

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A meta de Pereira é triplicar o número de prefeitos e vereadores eleitos pelo PRB nesse ano, além de eleger Celso Russomano prefeito de São Paulo e Marcelo Crivella prefeito do Rio de Janeiro.

O outro ministro-gladiador-do-altar de Michel Temer é o bispo Ronaldo Nogueira, escolhido para cuidar da pasta do trabalho. Nogueira é bispo da Assembleia de Deus, mesma igreja de Marco Feliciano.

Em um cargo menos prestigiado mas igualmente importante está a ex-deputada federal Fátima Pelaes,  secretária de Políticas para as Mulheres. Em seu currículo consta uma investigação por desvio de R$ 4 milhões de verbas do Ministério do Turismo. Sua indicação ao cargo cujo objetivo é implementar políticas para as mulheres foi considerada uma surpresa, já que Fátima é evangélica e se declara contra o aborto mesmo em casos de estupro.

Por fim, Temer escolheu como líder do seu governo na câmara o deputado federal André Moura, do PSC, partido do pastor da Assembleia de Deus Everaldo Pereira, de Marco Feliciano e de Jair Bolsonaro. Como se não bastasse, Moura é amigo pessoal do presidente afastado da câmara, Eduardo Cunha. 

Cunha, por sinal, disse durante a votação do impeachment a frase que melhor representa o momento em que vivem mulheres, negros e gays brasileiros: "que Deus tenha misericórdia desta nação". #Religião #Fanatismo religioso