A pergunta mais ouvida no Brasil nestas terça e quarta-feira (7 e 8) foi uma só: Onde está Tia Eron? A deputada federal baiana estava sendo aguardada no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, onde daria o voto decisivo pela cassação ou absolvição do deputado federal #Eduardo Cunha. Como o Brasil todo já sabe, por mais de cinco horas os deputados, a imprensa e a população brasileira aguardaram Tia Eron comparecer ao conselho, mas ela simplesmente "desapareceu". Procuraram a deputada por todo o congresso nacional, mas seus colegas de partido - o PRB, ligado à Igreja Universal - disseram que não sabiam onde ela estava. Entretanto, assim que a sessão no conselho foi suspensa, Tia Eron foi flagrada pela TV Globo saindo do gabinete da liderança do PRB, onde passou a tarde escondida.

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Por que Tia Eron não aproveitou seu momento sob os holofotes para cassar o mandato de Eduardo Cunha e se transformar numa espécie de heroína desse Brasil que busca combater a corrupção? Por que a deputada, na verdade, quer votar a favor de Cunha, mas está sem coragem para tanto. A solução encontrada pela parlamentar foi de "desaparecer" e inventar alguma desculpa depois. Desta forma, Tia Eron seria substituída na comissão pelo deputado Carlos Marun (PMDB-RS), o primeiro substituto a registrar presença na comissão e homem de confiança de Cunha.

A estratégia foi frustrada pelo relator do processo, Marcos Rogério (DEM-RO). Ao perceber que, com a ausência da deputada baiana, Cunha poderia escapar da cassação, Marcos pediu mais prazo para analisar o processo, o que acarretou no adiamento da sessão, ainda sem nova data marcada.

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Pressão de todos os lados

A deputada está em situação bastante delicada. Se optar por ser fiel à sua amizade com Cunha e a todos os benefícios que advém dela, terá o peso da opinião pública - amplamente favorável à cassação - em suas costas, o que pode lhe custar muitos votos na próxima eleição. Além disso, o site El País informa que o próprio presidente Michel Temer pediu para que Tia Eron interviesse a favor de Cunha. 

Por outro lado, seu partido teme que o voto de Tia Eron a favor do presidente afastado da câmara prejudique a campanha de Celso Russomano à prefeitura de São Paulo. 

Com todo o peso do mundo nas costas, a deputada tem uma decisão difícil a tomar: salvar Cunha e colher os frutos que surgirão desta aliança no futuro, ou salvar a própria pele e evitar uma sangria de eleitores nas próximas eleições. O Brasil aguarda ansiosamente pelo desfecho dessa novela quase bíblica, já que tanto Cunha quanto Tia Eron e Russomano são ligados à instituições evangélicas.