Houve uma verdadeira avalanche de críticas sobre o governo do atual presidente interino do Brasil, Michel Temer, quando na ocasião de nomear os seus ministros, não constava sequer o nome de uma única mulher como representante do seu gabinete. Agora que com o passar do tempo essa realidade parecia meio que esquecida, as palavras do ministro brasileiro da pasta de Relações Exteriores, José Serra - vieram à tona na visita em que o mesmo fez na última semana de julho ao México - reacenderam uma fala considerada “machista” e no mínimo infeliz por muitos representantes da sociedade. Não são as raras as vezes em que Serra foi deselegante com a imprensa ou até mesmo com colegas de gabinete como a ex-ministra Kátia Abreu, que após ser chamada de “namoradeira” por Serra, acabou atirando uma taça de vinho no rosto do político do PSDB de São Paulo. 

Serra, na Cidade do México, ousou dizer à Claudia Ruiz Massieu, ministra das Relações Exteriores, que é um “perigo” para o Brasil que o México seja representado por tantas mulheres na política.

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"Devo dizer, cara ministra, que o México, para os políticos homens no Brasil, é um perigo, porque descobri que aqui quase a metade dos senadores são mulheres", reiterou literalmente Serra, sendo a frase acompanhada de uma risada irônica por parte do brasileiro.  

Serra reconheceu publicamente em sua visita ao México o que a maioria dos brasileiros já sabe, isto é, que o percentual dos senadores que são mulheres no Brasil não chega nem a 20% e que nunca houve na história brasileira, uma única ministra de Relações Exteriores. #Dilma Rousseff foi a primeira presidente eleita do Brasil em 2011 com mais de 54 milhões de votos, mas foi afastada temporariamente do poder em Brasília, sendo substituída pelo vice-presidente Michel Temer, até que se conclua o questionável julgamento político sobre a mesma - acusação de pedaladas fiscais do seu governo. 

O que muitos julgam como indelicadeza de José Serra não parou por aí, uma vez que o político brasileiro convidou Claudia Ruiz Massieu para que ela fosse aos Jogos Olímpicos 2016 na cidade do Rio de Janeiro.

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Entretanto, fez questão de avisar que a ida da ministra Massieu irá representar um verdadeiro perigo, pois ela pode reativar a discussão sobre o tema da ausência das mulheres no governo Temer. 

Temer, o presidente interino, foi muito criticado no mês de maio, após criar um gabinete conservador com a inexistência de mulheres ou negros - cada grupo representa mais da metade da população do país. Vale frisar ainda que até agora, três dos ministros escolhidos pelo interino já perderam os seus postos por serem suspeitos de corrupção ativa em um período de tempo de aproximadamente dois meses. 

Se caso Dilma Rousseff for condenada, pela - segundo dizem os representantes da direita política brasileira - manipulação dos números das contas públicas do país, será Temer que comandará definitivamente o governo do Brasil até as próximas eleições marcadas para 2018. #Michel Temer #Crise-de-governo