O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é um homem generoso, pelo menos é o que podem dizer os funcionários da Câmara de Deputados em Brasília que receberam convites para participar de um churrasco oferecido pelo parlamentar afastado em sua despedida da residência oficial da presidência daquela instituição.

No evento, que aconteceu nesta quarta-feira (27) e foi organizado pelo buffet Degustare, nos jardins da casa, para cerca de 50 pessoas, além de cortes nobres, foram servidas dezenas de garrafas de espumantes e bons vinhos ao som de música ao vivo.

A empresa, fundada em 2004, tem entre seus clientes a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, a Petrobras, além de embaixadas e do Congresso Nacional.

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No site da Degustare há também imagens de eventos promovidos pela empresa para o ex-presidente Lula.

Entre os privilegiados convidados estavam os seguranças e os funcionários da residência. O único parlamentar presente era o próprio peemedebista.

A residência oficial do presidente da Câmara de Deputados fica em uma região nobre de Brasília, Lago Sul, e deve ser desocupada por Cunha até o próximo dia 6 de agosto, após sua renúncia à presidência da Casa, feita no último dia 7 de julho.

No dia 5 de maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento do parlamentar da presidência da Câmara e também suspendeu seu mandato sob a alegação de que sua presença no Legislativo estava atrapalhando as investigações das acusações contra ele e seus pares, promovidas pelo Congresso e pela Justiça.

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Em dezembro de 2015, de posse de mandado de busca e apreensão, a Polícia Federal invadiu a residência e retirou documentos e computadores do local.

Proibido de transitar pelo Congresso, Eduardo Cunha usou a residência oficial para receber advogados e parlamentares em reuniões que discutiram métodos para bloqueio do seu processo de cassação.

Após sua renúncia à presidência da Câmara, o peemedebista recebeu da Mesa Diretora um prazo de 30 dias para a desocupação do imóvel que, posteriormente, receberá como novo morador o novo presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tornou-se desafeto de Cunha após rompimento entre ambos.

Sem dizer qual o custo da comemoração, Eduardo Cunha afirmou que o evento foi patrocinado com recurso próprio. No entanto, decidiu encerrar a festa quando um helicóptero de uma emissora de televisão passou a sobrevoar e fazer imagens do local.

Cerco se fechando

O Conselho de Ética da Câmara aprovou a cassação do mandato de deputado federal de Eduardo Cunha e o plenário da Casa deve julgá-la no início deste mês de agosto.

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Além disso, o parlamentar carioca é réu na Lava Jato, acusado de receber propinas em negociações de contratos da estatal.

Cunha também foi indiciado em três inquéritos que apuram se o deputado fez uso de seu cargo em benefício de seus pares para receber vantagens ilícitas. O peemedebista também foi acusado de participar de desvios milionários em atos de corrupção na Caixa Econômica Federal.

Sobre todas as acusações, o deputado, claro, se diz inocente e alega ser vítima de perseguição por ter sido o precursor do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. #Crise econômica #Crise-de-governo