Acusado pelos crimes de injúria e incitação ao estupro, denúncias que lhe renderam processo no qual será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal Jair Bolsonaro, de 61 anos, eleito pelo Partido Social Cristão (PSC), do Rio de Janeiro, ganha seguidores, especialmente nas redes sociais, que possuem o mesmo raciocínio do militar da reserva do Exército Brasileiro: fazer suas opiniões sobressaírem-se às demais, nem que, para tanto, seja preciso o uso da violência.

Foi o que se viu, pelo menos, na principal avenida de São Paulo, a Paulista, quando policiais militares tiveram de usar a força para separar grupos de manifestantes que, gratuitamente, tentaram agredir os pedestres que não compartilhavam de seus ideais de defesa ao deputado, porque ali estavam apenas para atividades de lazer já que a via é fechada, aos domingos, exatamente para esta finalidade.

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A frase que convocou os internautas para o protesto, publicada no Facebook, dizia que o STF pretende "perseguir qualquer político que agir contra a malfadada revolução" e que o órgão está sendo usado pelos comunistas de forma revolucionária.

Apesar da presença do filho de Bolsonaro, o também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e de ter a confirmação, na rede social, da presença de cerca de 3 mil pessoas na manifestação, pouco mais de 300 estiveram no evento, por volta das 11h30, em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, segundo levantamento divulgado pela Polícia Militar.

No Rio de Janeiro, 'terra' de Jair Messias Bolsonaro - embora o deputado seja natural de Campinas, interior de São Paulo -, o número de manifestantes foi ainda menor que o da capital paulista.

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Segundo a Polícia Militar fluminense, pouco mais de cem pessoas estiveram presentes no protesto que contou com a presença de Bolsonaro.

Alguns simpatizantes usavam camisetas com a legenda 'Bolsomito' e houve até quem exibisse um cartaz com a afirmação de que "Ustra Vive", em referência ao coronel do exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra,  ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, um dos órgãos atuantes na repressão política durante o período da ditadura militar no Brasil. Ustra tornou-se famoso por ser um torturador que dava choques e batia em suas vítimas com cipós. Ele morreu em outubro de 2015, aos 83 anos, vítima de câncer de próstata.

Além dos crimes que o STF irá julgar contra o deputado, a Câmara Federal também abriu processo por quebra de decoro por parte de Jair Bolsonaro.

Sobre a acusação de incitação ao estupro e injúria

Ela decorre da afirmação de Bolsonaro, feita na tribuna da Casa, em 2015, de que Maria do Rosário (PT-RJ) não merecia, sequer, ser estuprada por ele. O agravante se dá pelo fato de reincidência já que, em 2004, o deputado teria dito a mesma coisa contra a mesma parlamentar.

Se condenado, Jair Messias Bolsonaro perderá o mandato e ainda ficará inelegível por oito anos. #Crime #Corrupção #Crise-de-governo