Com o costumeiro olhar calmo e a tranquilidade de um vereador de cidade pequena, #Eduardo Cunha adentrou o Salão Verde da #Câmara dos Deputados nesta quinta-feira, 7, para proferir aquele que provavelmente foi o seu último discurso na Casa. Antes de tomar o posto em frente ao batalhão de jornalistas, os gritos de “Fora Cunha” - habituais em suas últimas aparições públicas – apenas anteciparam um desfecho que já não apresentava outras saídas: a renúncia.

Com um surpreendente sorriso no rosto, como se o pronunciamento a seguir fosse apenas mais uma entrevista de rotina, Cunha ainda se permitiu brincar com a falha técnica do microfone e com a presença de tantos profissionais da mídia.

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“Eu estava com saudades de vocês, mas vocês não estavam com saudades de mim”, ironizou, antes de ler sua carta protocolada na mesa da Câmara, em que renuncia oficialmente ao cargo de presidente da Casa.

Quando começou a leitura do seu pronunciamento, no entanto, as brincadeiras acabaram e o ar sério, acompanhado do semblante fechado, tomou conta do peemedebista. Ele estava afastado do cargo de presidente da Câmara desde o dia 5 de maio, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que acolheu ação da Procuradoria-Geral da República, que defendia que o afastamento era necessário para a manutenção das investigações contra o parlamentar no âmbito da Operação Lava Jato.

A decisão de Cunha em renunciar ao antigo cargo, por outro lado, não altera em nada os rumos do processo que o investiga dentro do Conselho de Ética da Câmara.

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Bastante “mexido” após o final da leitura do seu discurso, em que inclusive chegou a embargar a voz e chorar, Eduardo Cunha não permaneceu para responder as perguntas dos jornalistas presentes.

Críticas ao PT e “ato de coragem” ao abrir o impeachment

Ainda no início de dezembro de 2015, Eduardo Cunha, nas atribuições cabíveis ao cargo que no momento exercia, acatou um dos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff que repousava sobre a sua mesa. Desde então, entrou em pé de guerra com o Partido dos Trabalhadores, o PT, que via ali o nascimento de uma possibilidade de perder a presidência – posição que ocupava desde 2003 no primeiro ano do governo Lula.

“A história tratará de fazer justiça com a decisão corajosa da Câmara dos Deputados no ano passado em abrir o processo de impeachment contra a presidente da República, que culminou com o seu posterior afastamento, retirando o Brasil do caos imposto pela desastrosa e criminosa gestão que gerou o ódio do povo brasileiro”, criticou Cunha em um primeiro momento do discurso, depois de admitir que, no atual momento, a Câmara dos Deputados se encontrava “acéfala”.

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No momento mais marcante da sua fala, Cunha demonstrou que em meio a toda sua maquiavélica serenidade e estratégia política há também um ser humano. Embargou a voz e chorou quando falou da sua família, que, segundo ele, vinha sistematicamente sofrendo “perseguição”.

“Agradeço aos meus familiares, de quem os meus algozes não tiveram respeito e os atacaram de forma covarde, sobretudo minha mulher e minha filha mais velha. Com o intuito de me atingir, usam minha família de maneira desumana”, lamentou Cunha.

Réu em duas ações no STF oriundas da Lava Jato e em análise de um processo disciplinar no Conselho de Ética, Eduardo Cunha deixa vaga a sua cadeira na Presidência da Câmara. Agora, o presidente interino Waldir Maranhão convocará novas eleições em até cinco sessões plenárias. Qualquer deputado federal está apto a concorrer e o ganhador exercerá o cargo até fevereiro de 2017, prazo final do antigo mandato de Eduardo Cunha. #Congresso Nacional