A Comissão Processante do #Impeachment no Senado deveria ouvir a presidente afastada nesta quarta-feira (6). No entanto, Dilma Rousseff optou por não comparecer. Ao invés disso, se defendeu através de uma carta de 28 páginas, que foi lida por seu advogado José Eduardo Cardozo.

No documento, Dilma repetiu parte do discurso que havia proferido em maio, antes do afastamento, mencionando as dificuldades que já enfrentou na vida, como o fato de ter sido torturada pela ditadura militar, o câncer que conseguiu vencer e enfatizou que vai "lutar por seu mandato até o fim". A presidente admitiu ter cometido erros, tanto no âmbito pessoal quanto no político: "Errar, por óbvio, é uma decorrência inafastável da vida de qualquer ser humano".

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Porém, continuou a pregar em sua defesa o discurso da honestidade, afirmando que jamais desviou dinheiro do patrimônio público. Dilma se disse fiel aos companheiros até nos momentos mais difíceis e declarou ser incapaz de trair suas "crenças e convicções".

O impeachment é uma farsa

Em um dos trechos, a presidente afastada se refere especificamente ao processo de impeachment e acusa o também afastado presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Dilma diz estar sendo "alvo" de uma "farsa", por ter negado apoio a Cunha, que tencionava se livrar do processo que vinha sofrendo no Conselho de Ética. A presidente referiu ter sido chantageada e, de acordo com a defesa que apresentou, não ter cedido à chantagem é o motivo do impeachment.

Crime de responsabilidade e pedaladas fiscais

Acusada de ter cometido crime de responsabilidade por haver autorizado dotações orçamentárias ainda não aprovadas pelo Legislativo, Dilma insistiu que "não houve desrespeito às metas financeiras estabelecidas", nem "qualquer comportamento ilícito e grave" contra a Constituição.

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Sobre o atraso nos pagamentos aos bancos públicos referentes ao Plano Safra, as pedaladas fiscais, Dilma afirmou que não cabia à presidência a definição de prazos ou pagamentos. Neste item, a perícia realizada pelo Senado concorda em parte. Embora reiterem que as pedaladas existiram, os técnicos dizem não ter encontrado "ato direto" da presidente neste caso.

O que acontece a partir de agora

O próximo passo é o relatório, que será escrito pelo senador Antônio Anastasia (PSDB/MG) e, a seguir, analisado pelos integrantes do colegiado. Se for decidido pelo julgamento de Dilma, isto deve acontecer no final de agosto. #Dilma Rousseff