A 18ª fase da Operação Lava Jato, a Custo Brasil, rendeu mais um épico capítulo com o desbloqueio de uma conta do Partido dos Trabalhadores. No dia 3 de junho, mais de R$ 102 milhões das contas bancárias de Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento, de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, e também de uma conta do próprio PT haviam sido bloqueados por ordem do juiz federal que dirige as investigações, Paulo Bueno de Azevedo.

O inquérito aponta para o favorecimento do PT e de Paulo Bernardo em contratos firmados com o Grupo Consist Software, voltado à prestação de serviços em tecnologia da informação, com sede em São Paulo.

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Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os desvios de mais de R$ 100 milhões ocorreram em operações de crédito consignado concedido a funcionários públicos federais e que eram administradas pela empresa. O esquema durou aproximadamente cinco anos, entre 2010 e 2015, e contou com o envolvimento de pessoas que mantinham relações com funcionários do Ministério do Planejamento.

Com o modus operandi usado em quase todos os esquemas de #Corrupção, o Grupo Consist fazia cobranças e recebia muito acima do que, de fato, lhe era devido. Em contrapartida, a empresa transferia para o Partido dos Trabalhadores e políticos 70% do que faturava. Segundo a Procuradoria da República, o valor da propina é da ordem de mais de R$ 100 milhões.

O bloqueio total, determinado pela Justiça Federal, é de R$ 102,6 milhões, e a participação de cada operador no esquema varia de empresa para empresa, e de pessoa para pessoa.

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Negando quaisquer irregularidades, como tem feito desde que os primeiros escândalos de corrupção no governo petista foram colocados à luz das autoridades policiais, da Justiça e da sociedade, o Partido dos Trabalhadores disse que a informação sobre a decisão do juiz Paulo Bueno de Azevedo é da semana passada, afirmando que os recursos já estão desbloqueados. 

De fato, Azevedo determinou o desbloqueio no último dia 27 alegando que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicou a conta bloqueada do PT como pertencente à retenção de valores destinados ao Fundo Partidário. Desta forma, falta um motivo concreto para restringir os recursos depositados nela. O juiz afirmou também que não há indícios de ilicitudes e que, por esta razão, decidiu pela liberação dos valores antes bloqueados.

Os advogados do ex-tesoureiro petista, João Vaccari Neto, preferiram não emitir nenhuma declaração sobre o bloqueio de contas de seu cliente.

Já a defesa de Paulo Bernardo - marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) - informou que vai tentar invalidar a determinação do juiz Azevedo apresentando provas de que o dinheiro de seu cliente provém de aposentadorias, salários e previdência.

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Para os advogados de Bernardo, o Ministério Público Federal levantou presunção dantesca acerca da fonte dos benefícios de seu cliente.

Embora as contas tenham sido bloqueadas no início do mês passado, a informação veio à tona apenas nesta terça-feira (5) porque o processo seguia sob sigilo.

Para o juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, Vaccari foi o autor intelectual desta ação de corrupção envolvendo a Consist. O magistrado chegou à esta conclusão com base nos depoimentos dos delatores Delcídio do Amaral e Alexandre Romano, que apontaram como o ex-tesoureiro do PT participava dos desvios de dinheiro, milhões superfaturados pelo Ministério do Planejamento, que beneficiaram diretamente o seu partido. 

Além de Paulo Bernardo, as propinas destinaram-se a outros agentes públicos e ao PT, motivo pelo qual o juiz determinou o bloqueio das contas no mesmo montante que reteu de contas da Consist e CSA NET: R$ 102,6 milhões.

Preso dia 23 de junho, Paulo Bernardo não chegou a ficar nem uma semana detido, tendo sido colocado em liberdade, no último dia 29, juntamente com outras sete pessoas investigadas por participação em esquemas de pagamentos de propinas no âmbito do Governo Federal. #Crime #Crise no Brasil