O juiz federal responsável pela operação Custo Brasil, Paulo Bueno de Azevedo, que comanda o desdobramento da 18ª fase da Operação Lava Jato, tomou uma medida drástica. Ele bloqueou R$ 102,6 milhões das contas bancárias do PT, de João Vacari Neto (ex-tesoureiro do PT) e do ex-ministro de Lula e Dilma, Paulo Bernardo. O processo que foi instaurado visa apurar o pagamento de propina referente a contratos fechados para prestação de serviços de informática da empresa Consist nos anos de 2010 a 2015. A investigação apura o envolvimento de agentes e de funcionários do Ministério do Planejamento, que foi comandado por Paulo Bernardo.

Bloqueio nas contas ocorreu em 6 de junho

A decisão publicada hoje na imprensa foi tomada pelo juiz Paulo Bueno de Azevedo no dia 6 de junho. A decisão do bloqueio ocorreu semanas antes da polêmica prisão de Paulo Bernardo, que foi realizada no dia 23 de junho, e sua soltura seis dias depois, através da concessão de um habeas corpus do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Tófoli.

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A decisão do bloqueio do dinheiro feita pelo juiz Paulo Bueno se baseou no depoimento de dois delatores (que não tiveram seus nomes revelados). A informação revelada por eles é a de que o ex-tesoureiro João Vacari Neto seria o mentor do esquema de pagamento de propinas da Consist. Os delatores afirmaram também que os principais beneficiários do esquema seriam o Partido dos Trabalhadores e o ex-ministro do Desenvolvimento, Paulo Bernardo.

A Procuradoria afirma que a empresa Consist cobrava um valor superfaturado sobre cada contrato que fechava e dividia 70% dos ganhos arrecadados com os políticos citados acima e o PT. A denúncia é de que o esquema durou cerca de seis anos, entre 2009 e 2015, e teria chegado a impressionante marca de R$ 100 milhões.

Paulo Bernardo nega envolvimento

O ex-ministro nega veementemente a participação no esquema de propinas com a Consist e afirma que todas as informações não procedem e não tem o menor cabimento.

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Ele afirmou que houve manipulação nos depoimentos dos delatores, que ele acredita serem o ex-senador Delcídio do Amaral e o vereador de São Paulo, Alexandre Romano.

“Com certeza vai existir uma discussão sobre essas delações premiadas, porque parece que houve muita manipulação nisso aí. Sou inocente e isso vai ficar demonstrado ”.  #Justiça #Corrupção #Polícia Federal