Em 20 de julho, mais uma vez veio à tona, de modo negativo na sociedade brasileira, a fala de ameaça de um líder religioso a um deputado federal que é assumidamente homossexual e defende literalmente a bandeira #LGBT. O deputado federal visado é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que causa a insatisfação das camadas mais ortodoxas de vários grupos religiosos. Por mais inacreditável que esse fato possa parecer, foi o que aconteceu com o denominado pastor da Comunidade Bíblica da Graça, Marcos Klein, que se dirigiu ao deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ) em um voo de carreira e solicitou que pudesse tirar uma foto junto ao deputado.

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O desejo do religioso foi realizado sem nenhuma dificuldade por Wyllys, mas o pior estaria por vir, uma vez que o pastor Klein simplesmente postou na sua rede social do Facebook a foto dele sorrindo com o político e logo em seguida, tece o seguinte comentário: "Acho que ele pensou que meu sorriso era pela foto conseguida… Mas eu só queria colocar minhas mãos sobre ele pra profetizar ‘ou se converte, ou morre'. O Brasil é de Jesus!!!".

Entretanto, a referida postagem alcançou muita visibilidade na internet, fazendo com que o pastor decidisse excluir a foto do seu perfil oficial no Facebook. Vale frisar de que Marcos Klein é membro da Comunidade Bíblica da Graça, cuja representação principal fica na Cidade do Rio de Janeiro, mas Klein tem atualmente residência fixa no Chile.

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Apesar de repórteres tentarem ouvir a versão de Eduardo Machado, que é o bispo principal da Comunidade Bíblica da Graça, sobre o fato ocorrido, coincidentemente foi dito que o mesmo se encontrava em uma reunião.

Por sua vez, o parlamentar Jean Wyllys, que se encontra na capital da Inglaterra, Londres, em missão de caráter oficial por convite do Kings College London, fez questão de frisar que a ameaça explícita do religioso à sua pessoa é diretamente contrária ao comportamento dos reais seguidores de Cristo e o que Klein fez foi unicamente demonstrar à sociedade a sua alta dose de "ódio, ressentimento e desonestidade".

Wyllys deixou claro que uma impressão da postagem será entregue na Polícia Federal para investigação do ocorrido e a assessoria do político ainda se deteve sobre os assassinatos de representantes da comunidade LGBT ocorridos em junho, correlacionando esses tristes fatos à influência negativa dos religiosos radicais que incitam as pessoas ao ódio, o que os torna co-responsáveis diretos por tais mortes.

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A ironia é que frente a essa declaração e ameaça revestida de ódio do protestante Klein, o Estado brasileiro é um Estado "laico" de direito, onde o poder emana do povo, ou ao menos deveria. O resumo do enredo é que em um país soberano não deveria haver a interferência de religiosos na vida diária da sociedade, independente de qual seja a ideologia de quem ocupa o poder ou comando do país, mas é justamente o contrário do que vem sendo feito, pois determinados clérigos e líderes religiosos, alguns inclusive pertencentes à "bancada evangélica", apoiaram diretamente a passagem de bastão forçada do poder no Planalto Central. #Religião