A Polícia Federal encontrou milhares de mensagens no telefone celular do ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, Otavio Azevedo, que é um dos alvos de investigação sobre pagamentos de propinas a políticos na Operação #Lava Jato. De acordo com as investigações da Polícia Federal, algumas mensagens fazem referência a encontros de Otavio de Azevedo e o presidente interino Michel Temer. A PF garantiu que os dois se encontraram, pelo menos três vezes, nos anos eleitorais de 2012 e 2014, sendo que o principal intermediador desse encontro sempre foi o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB).

As informações dos encontros de Temer e Otavio de Azevedo foram confirmadas pela própria assessoria do presidente, que afirmou que os encontros ocorreram no gabinete da vice-presidência.

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De acordo com a assessoria, o intuito dos encontros era o de anunciar doações de campanha da empreiteira ao PMDB.

A única contradição entre assessoria e a Polícia Federal é que os investigadores da PF disseram que #Eduardo Cunha foi o intermediador do encontro; já a assessoria de Temer afirmou que o presidente interino “não se lembra” da presença de Eduardo Cunha no encontro. A assessoria também afirmou que tampouco consta nos registros oficiais do gabinete a presença de Cunha e que #Michel Temer sempre manteve uma “relação institucional” com o empreiteiro.

Mensagem de SMS em 2012 confirma que empresário se atrasou para um encontro

Uma mensagem de SMS divulgada pela Polícia Federal apontou que no dia 4 de abril de 2012, o empresário teria um encontro marcado com Michel Temer e Eduardo Cunha e teria se atrasado.

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O conteúdo da mensagem era o seguinte: "O Michel cansou de te esperar e foi embora, fiquei só eu". O “só eu” da mensagem, seria Eduardo Cunha. Apesar de confirmar o encontro entre os três, a Polícia Federal não pode verificar em qual local seria o encontro.

A assessoria de Temer garantiu que o vice-presidente não se recorda do eventual encontro citado na mensagem. O fato é que mensagens do celular de Otávio Azevedo revelaram o “estranho assédio” que o empreiteiro recebia de políticos dos mais diversos partidos.