Diz o ditado que "pau que dá em Chico também dá em Francisco". Se Dilma foi "Chico", parece que desta vez o papel de "Francisco" caberá ao PSDB. É que o presidente interino, Michel Temer, que já deu um "chega pra lá" em Dilma e tomou seu lugar no Palácio do Planalto, agora se prepara para um novo bote no PSDB. Ministros ouvidos pela Folha de São Paulo já se articulam para que Temer seja candidato à reeleição em 2018. Caso se confirme a candidatura, Temer estará traindo os partidos que lhe alçaram ao cargo máximo do país. Uma das condições impostas por PSDB e DEM durante a votação do #Impeachment de Dilma Roussef, em maio, foi o de que Temer não disputasse a reeleição.

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Desta forma, o PSDB poderia lançar seu candidato (possivelmente José Serra) à presidência contra um PT enfraquecido. Na época, Temer assumiu o compromisso de não tentar a reeleição, promessa que agora pode ser quebrada.

Para se tornar candidato, entretanto, Temer teria de enfrentar alguns obstáculos. Primeiro ele precisaria superar o status de "interino", o que só será possível após a votação final do impeachment de Dilma, que deve acontecer no início de setembro. Depois, tem de convencer a população - que hoje deseja novas eleições e não a continuidade de Temer na presidência - de que é a melhor opção para o País. Temer goza hoje de uma popularidade muito baixa. Apenas 14% dos brasileiros consideram sua administração positiva, de acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha.

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Número mágico

Temer só tentaria a reeleição se, nos próximos dois anos, sua popularidade disparasse e ele chegasse a marca de 50% de aprovação. O número é alcançável, já que a economia deve voltar a crescer no ano que vem. Entretanto ainda não se sabe como a operação Lava-Jato pode atingi-lo. Vale lembrar que a Procuradoria Geral da República pediu, em junho, a prisão de importantes "caciques" do PMDB, como Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá.

Por fim, há de se analisar também quais serão as atitudes do PSDB com os rumores de que Temer pode trair o partido. Hoje o partido de Aécio Neves é figura central no governo Temer e em sua relação com o congresso. Um dos motivos da queda de Dilma foi justamente sua falta de sintonia com deputados e senadores. Falta de sintonia esta provocada pelo mesmo PMDB que agora pode se tornar vítima do próprio veneno, pelas mãos do PSDB.  #Dilma Rousseff #Michel Temer