No início da tarde desta quinta-feira (7), o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - afastado do cargo desde o início do mês de maio por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) - anunciou sua renúncia do posto de presidente da Câmara. Em seu pronunciamento, Cunha alegou que tomou a decisão para poupar a família das perseguições que vinha sendo vítima nos últimos meses em razão de o deputado ser considerado, pelos petistas e seus aliados, o algoz da ex-presidente Dilma Rousseff, já que foi ele quem deu início ao processo de impeachment da presidente petista.

Eduardo Cunha também embasou sua renúncia em conselhos dados por peemedebistas, como o presidente da República em exercício, Michel Temer, e por alguns aliados.

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A decisão do deputado tem como principal objetivo o ganho de fôlego no processo que tramita no Conselho de Ética da Câmara e que orienta pela sua cassação. Saindo de cena, o deputado cria uma espécie de nuvem sobre a ação que recomenda a supressão do seu mandato, além de evitar que Waldir Maranhão (PP-MA), vice presidente da Câmara e atual presidente interino da Casa, reivindicasse a vaga na presidência. Caso Maranhão tomasse a referida ação, Cunha perderia o destaque de seu pronunciamento de renúncia e sairia pela 'porta dos fundos'.

A permanência do deputado do PP à frente da Câmara de Deputados, que segundo o atual governo é motivo de grande parte da desestabilização política do momento, não condiz com os anseios da cúpula do PMDB, que prefere novas eleições para poder fazer a indicação de algum membro da legenda ou de partido aliado para assumir a presidência da Casa.

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semanas que grupos ligados a Eduardo Cunha vem sinalizando que a melhor decisão que o parlamentar podia tomar era sua renúncia pois, na previsão dos aliados, dificilmente ele conseguiria não ser julgado em voto aberto no plenário do Legislativo no processo que pede a cassação do seu mandato. Mesmo porque, todo o desgaste com a permanência de Cunha na presidência acabou afastando até mesmo aliados de confiança do deputado.

Ao final da tarde desta quinta, Waldir Maranhão anunciou a realização de eleições para a presidência do Legislativo Federal para a próxima quinta-feira (14), após cinco sessões do plenário a contar da data de renúncia de Cunha. As candidaturas deverão ser entregues à Secretaria Geral da Mesa até às 12h do dia da eleição. #Crise no Brasil #Dentro da política #Crise-de-governo