O jornalista americano Glenn Greenwald, atualmente vivendo no Rio de Janeiro, publicou junto com Erick Dau um artigo no site The Intercept em que afirma que a Folha de São Paulo cometeu fraude jornalística para tentar alavancar o vice-presidente em exercício #Michel Temer. Greenwald ficou mundialmente conhecido por ter sido o jornalista escolhido por Edward Snowden para a divulgação de dados sobre espionagem realizada pelo serviço secreto dos Estados Unidos contra personalidades de outros países.

No artigo, os jornalistas estranham a falta de pesquisas de opinião sobre o momento atual vivido pelo país na mídia de massa, tendo sido a última pesquisa realizada antes da abertura do processo de #Impeachment pela Câmara dos Deputados, em 9 de abril. Em seguida, os jornalistas passam a apreciar os dados da última pesquisa Datafolha, publicada no último fim de semana e que afirma que cerca de metade dos brasileiros desejam a permanência de Michel Temer no cargo de presidente.

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De acordo com os articulistas, a fraude estaria no fato de que a pesquisa só trouxe duas perguntas: se Temer deveria ficar ou se Dilma deveria voltar. Os jornalistas dizem que o questionamento não abrange uma grande parcela de brasileiros que é a favor da realização de novas eleições e que, portanto, a manchete principal da Folha que diz que "metade dos brasileiros querem que Temer permaneça" não condiz com a realidade. A conclusão só pôde ser tirada depois que o jornal publicou hoje os dados completos da consulta.

A matéria afirma que, após a verificação dos dados completos, "tornou-se evidente que, seja por desonestidade ou incompetência extrema, a Folha cometeu uma fraude jornalística", uma vez que a Folha afirma que apenas 3 por cento querem novas eleições, quando este item não estava disponível na consulta.

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Segundo a matéria, é "injustificável" que o jornal tenha suprimido da pergunta duas possíveis respostas: se as pessoas eram a favor do impeachment de Temer ou de novas eleições, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) já afirmou que o processo de impeachment de Temer deve prosseguir, por ele ter cometido os mesmos atos que embasam o processo de afastamento de Dilma. Quanto às novas eleições, são defendidas por diversos políticos.

O texto afirma ainda que, após limitar as respostas a apenas duas opções, "a Folha não pode enganar o país fingindo ter dado aos entrevistados todas as opções possíveis". #Dilma Rousseff