Sob vaias e manifestações de apoio, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), renunciou ao seu mandato de presidente da Câmara dos Deputados na manhã desta quinta-feira, dia 07. O anúncio foi feito no salão verde, depois que o deputado entregou comunicação por escrito ao presidente em exercício Waldir Maranhão (PP-MA). Durante a leitura de sua decisão, Cunha não conseguiu segurar a emoção e se disse vítima de uma perseguição que estava atingindo inclusive a sua própria família.

Afastado desde o dia 05 de maio do cargo da presidência da casa e de suas funções de deputado conforme decisão do STF, Cunha optou por deixar a direção da Câmara.

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Antes do anúncio, ele teve que pedir autorização ao tribunal superior para se dirigir até o parlamento e após entregar comunicado por escrito, conforme determina a legislação, procedeu à leitura do fato. Com a voz embargada, o parlamentar afirmou que estava sendo uma vítima de constante perseguição, que incluía também a sua mulher, a jornalista Cláudia Cru, e a filha do casal. 

Sem citar nomes, Cunha afirmou que a decisão de afastá-lo da presidência, por parte de seus algozes, foi feita por  causa de sua participação direta no atual processo de afastamento de Dilma Rousseff. Segundo o mesmo, o pedido  teria sido protocolado somente após a sua decisão, ainda no cargo, de aceitar o processo de impeachment. O responsável teria sido o próprio Procurador Geral da República (PGR), Rodrigo Janot.

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Ele ainda citou o fato do processo somente ter sido analisado na data de seu afastamento, sem portanto cumprir os prazos estabelecidos constitucionalmente. O deputado afirmou ainda que optou pela renúncia para dar um maior apoio à própria Câmara que, na sua opinião, está sem nenhuma liderança. Ele classificou tal estado de uma situação fora do comum e completamente bizarra. A sua saída já vinha sendo defendida por alguns parlamentares, que desejam afastar também o atual do mesmo posto. 

 Com a renúncia de Cunha, novas eleições deverão ser convocadas para que um novo nome possa ser escolhido. Os deputados terão um prazo legal de até cinco sessões e serão necessárias as presenças de 51 deputados em cada uma. São consideradas as plenárias destinadas tanto ao debate, quanto ao processo de votação. Este deverá ser realizado através de votação secreta e com o uso de painel eletrônico. Para o cargo, qualquer deputado poderá se candidatar. Será vencedor aquele que for escolhido por unanimidade dentre todos que votarem. 

Atualmente, Cunha vem sendo alvo de duas ações e uma denúncia feita pela PGR, que relaciona o nome do parlamentar a um esquema ilegal de recebimento de propinas desviadas da Petrobras. Além disto, o deputado é alvo de um processo ético disciplinar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob a acusação de ter mentido sobre a existência de contas secretas em seu nome, no exterior. #Governo #Eduardo Cunha #Crise-de-governo