Ré no processo de impeachment, #Dilma Rousseff começou seu discurso de defesa no Senado às 9h53 desta segunda-feira (29). Mostrando em suas fisionomias a gravidade da situação, o ex-presidente Lula sentado ao lado de Chico Buarque, eram os apoiadores que mais chamavam a atenção na plateia.

O discurso de Dilma Rousseff

Como já era esperado, a presidente afastada repetiu o que já havia declarado em carta enviada à Comissão de #Impeachment, lida no Senado por seu advogado José Eduardo Cardozo, em 5 de julho. Além de insistir na tese de que é vítima de um golpe de estado, Dilma reafirmou ser inocente, honesta e que não cometeu crimes de responsabilidade.

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Contra o impeachment, Dilma bradou, referindo-se ao processo eleitoral: "quem afasta o presidente pelo conjunto da obra é o povo, e só o povo, nas eleições". Como se Michel Temer não tivesse sido eleito vice-presidente junto com ela, Dilma afirmou que o governo dele seria "indireto e usurpador", e criticou o fato de que não há mulheres nos ministérios "quando o povo nas urnas escolheu uma mulher para comandar o país".

No único momento em que se deixou levar pela emoção, Dilma lembrou mais uma vez o episódio no qual foi presa e torturada durante a ditadura militar e que já esteve perto da morte quando teve câncer. Para ela, seu impedimento será equivalente a uma "pena de morte política". Estas citações foram associadas à "morte da democracia".

Eduardo Cunha é o culpado

Críticas ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) não poderiam faltar.

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Dilma continua repetindo que é do conhecimento de todos que o processo de impeachment foi um ato de "chantagem explícita" por parte de Cunha, que, por sua vez, sofre um processo de cassação.

Tanto durante o discurso, quanto respondendo às perguntas dos senadores, a presidente afastada não contou nenhuma novidade. Ao responder à pergunta do senador Aécio Neves (PSDB), acusou Cunha mais uma vez, dizendo que ele não apoiou as medidas de combate à crise e que ele teria provocado uma "ação sistemática negativa" em seu governo. Também nestes dois momentos se referiu às "pautas bomba", que aumentavam gastos governamentais.

Foram 46 minutos nos quais Dilma Rousseff parecia estar proferindo um discurso que todos já tinham ouvido. Quase reconhecendo a derrota, Dilma insinuou que vai recorrer, mas é muito improvável que o Supremo Tribunal Federal reverta uma decisão do Senado. A estas alturas, nem mesmo os aliados acreditam que o mandato da presidente possa ser salvo.