Pode parecer um tanto irônico que o governo interino do Brasil, o mesmo que luta pelo afastamento da presidente eleita com mais de 54 milhões de votos, #Dilma Rousseff, tenha acionado o comparecimento de Carlos Daniel Amorín-Tenconi, embaixador do Uruguai em Brasília, a fim de que o mesmo explicasse o porque do pronunciamento de Rodolfo Nin Novoa, chanceler uruguaio, que falou no seu país que o vizinho Brasil vem forçando diretamente o Uruguai para que esse contribua no rebaixamento da presença da Venezuela no bloco dos países do #Mercosul e com isso o governo de Caracas seja impedido de exercer a presidência rotativa de 6 meses das nações que compõem o grupo em questão. 

O Itamaraty manifestou-se, em público, afirmando que o que foi dito por Novoa é algo inconcebível, mesmo que o chanceler do Uruguai tenha se pronunciado dentro de suas fronteiras nacionais.

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A Venezuela já deveria estar presidindo o Mercosul desde o dia 31 de julho, ocasião em que o governo do Uruguai chegou ao fim do seu exercício de liderança rotativa, mas o brasileiro José Serra, ministro das Relações Exteriores, aquele mesmo que falou uma piada machista em sua visita recente ao México, fez questão de sugerir que o Brasil, Paraguai e Argentina exerçam o que é chamado de mandato tampão sobre o bloco. 

O chanceler venezuelano por sua vez não concordou com a sugestão de Serra e fala que já está presidindo o bloco, o que de fato na prática não aconteceu. Tanto é assim que Antônio Celso Alves Pereira, presidente da SBDI - Sociedade Brasileira de Direito Internacional, citou que apesar da Venezuela ser um país de enorme potencial e história, não pode presidir o Mercosul, uma vez que não cumpriu com absolutamente nada que a homologasse como membro efetivo do grupo latino. 

Pereira defende sim que a Venezuela seja suspensa do bloco e que o governo de Caracas passe a respeitar as regras acordadas entre os países membros.

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“O Mercosul está paralisado, vai continuar na paralisia. O Brasil deve partir para acordos bilaterais", reitera o presidente da SBDI. 

No dia 16 de agosto, a chancelaria do Brasil divulgou por meio de um comunicado oficial, que vem tentando solucionar sobre qual o país terá a Presidência Pro Tempore do Mercosul, desde que como diz José Serra, a nação dirigente cumpra os requisitos de esfera jurídica que se fazem necessários para ser líder. O Itamaraty falou que o governo interino que assumiu o poder no Planalto Central não viu com bons olhos o que foi dito pelo chanceler uruguaio Nin Novoa sobre o papel do Brasil no bloco. 

Por outro lado, a senadora oposicionista Gleisi Hoffmann, do Partido dos Trabalhadores, critica severamente o governo interino brasileiro pela postura adotada em relação a Venezuela, pois Hoffmann, que é do mesmo partido que a presidente Dilma afastada e que aguarda o julgamento pelo senado, insiste em dizer que o que o Brasil está fazendo é simplesmente ilegal já que o Tratado de Assunção originou o Mercosul, bem como o Protocolo de Ouro Preto o homologou, onde ambas as leis diretivas garantem a posse da Venezuela na presidência do bloco, sendo que tudo isso tinha sido aprovado anteriormente pelo congresso do Brasil.

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As perguntas que não querem calar são: o que será do futuro da Venezuela, o que será do futuro do bloco do Mercosul, mas, principalmente, o que será do futuro político do imenso Brasil? #Relações Exteriores