Se em diversos cargos públicos a simples acusação e suspeita são o suficiente para a exoneração, isso não acontece entre aqueles que ocupam as posições mais altas na hierarquia - e o Senado brasileiro exemplifica muito bem essa questão.

Ronaldo Caiado, líder do DEM no Senado, por exemplo, que discursou nesta tarde sobre "assepsia" e eliminação da "contaminação" que levou o país ao buraco, foi acusado por Demóstenes Torres de ter recebido doações de Carlinhos Cachoeira para suas campanhas como deputado federal. Existem ainda acusações envolvendo o também senador José Agripino Maia, seu companheiro de partido, que também teria se beneficiado das doações.

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Em 2009, Caiado teve pedido de cassação de seu mandato solicitado pelo Ministério Público Eleitoral de Goiás ao Tribunal Superior Eleitoral, devido a captação e uso ilícitos de recursos em sua campanha no ano de 2006. Além do histórico associado à carreira do deputado, sua família é suspeita de manter trabalhadores sob regime escravo em suas fazendas no estado de Goiás. O Ministério do Trabalho divulga, periodicamente, uma lista contendo nomes de fazendeiros flagrados explorando trabalhadores em situação de escravidão e familiares de Ronaldo Caiado já figuraram duas vezes nessa "lista suja".

Aécio Neves, que fez discursos notórios responsabilizando o PT por toda a corrupção que assola o país, coleciona acusações e teve seu processo por improbidade administrativa quando governava Minas Gerais arquivado.

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Este ano, foi determinada a abertura de inquérito contra o senador por suspeita de ter maquiado dados do Banco Rural na CPI dos Correios, em 2005. Além disso, ele já foi citado em delações durante a Lava Jato 6 vezes. 

Em relação à operação Lava Jato, estão envolvidos 10 senadores que votaram a favor do #Impeachment da presidente, todos também usando de discursos relativos a permitir a continuidade da corrupção e a uma má administração. Dentre eles está Renan Calheiros, do PMDB, atual presidente do Senado e contra quem estão abertos 9 inquéritos no Supremo Tribunal Federal desencadeados pela Lava Jato, além de ser acusado de ter recebido propina da construtora Mendes Júnior para aprovar emendas parlamentares. Ele também é suspeito de agir em parceria com o senador Aníbal Gomes para facilitar contratações pela Petrobras.

Votaram pelo impeachment, ainda, os citados Romero Jucá - que protagonizou também um dos maiores escândalos em relação ao governo interino, quando teve divulgados os grampos de ligações em que dizia ser preciso um pacto para deter o avanço da operação Lava Jato -, Jader Barbalho, Valdir Raupp e Edison Lobão, todos do PMDB; Benedito de Lira, Ciro Nogueira e Gladson Cameli, do PP; Fernando Coelho, do PSB; e Fernando Collor, do PTC.

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Michel Temer, que não apenas realizou as mesmas operações fiscais pelas quais Dilma Rousseff foi condenada, mas também foi acusado pelo dono da construtora José Antunes de receber propina para concessão de contrato e por Sérgio Machado de ter negociado doação para campanha do ex-deputado federal Gabriel Chalita. #Michel Temer #Crise-de-governo