A delação premiada de Marcelo Odebrecht e de outros executivos da empreiteira homônima já começa a comprometer nomes do governo interino. Informações divulgadas pela imprensa até agora dizem que dois ministros e o próprio presidente interino Temer teriam recebido dinheiro de caixa-dois da empresa. Cerca de 50 executivos negociam colaboração com a justiça, o que torna provável que muitos outros políticos de diversos partidos sejam citados.

Michel Temer

Segundo informações divulgadas ontem pela imprensa, o presidente interino #Michel Temer teria recebido, ao menos, R$ 10 milhões em caixa-dois (contabilidade por fora do que é declarado à Justiça Eleitoral).

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A "doação" teria sido feita para que o então vice, que era presidente do seu partido, o #PMDB, ajudasse candidaturas do seu grupo político. O pedido teria sido feito em um jantar.

Em nota, Temer afirmou que houve o jantar, mas que tudo que fizeram foi conversar “sobre auxílio financeiro da construtora #Odebrecht a campanhas eleitorais do PMDB" e disse ainda que tudo foi feito "em absoluto acordo com a legislação eleitoral em vigor”.

Eliseu Padilha e Paulo Skaf

Dos R$ 10 milhões angariados por Temer, o atual ministro da Casa Civil Eliseu Padilha teria recebido R$ 4 milhões em dinheiro vivo. Os outros R$ 6 milhões teriam sido entregues a outros candidatos, como Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que concorreu às eleições 2014 para o cargo de governador paulista.

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José Serra

O atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, senador pelo estado de São Paulo, também aparece na delação premiada dos executivos da empreiteira. Ele teria recebido R$ 23 milhões em caixa-dois para a sua campanha a Presidência da República em 2010, quando foi derrotado por Dilma Rousseff. Os executivos afirmaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) que uma parte do dinheiro foi entregue no país e outra parte, no exterior, através de depósitos bancários.

Fatos podem fortalecer o movimento por novas eleições

Três situações ocorridas nos últimos três dias poderão fortalecer o movimento "Nem Dilma, nem Temer" por novas eleições.

Uma destas, a pesquisa Vox Poppuli/Carta Capital divulgada na sexta (05) aponta que 61% dos entrevistados são a favor da proposta. Outro dado aponta que apenas 18% querem a volta de Dilma e 17% querem que Temer permaneça.

Outra, a vaia que o interino tomou na abertura das Olimpíadas no Rio e a censura a protestos. Ontem, pessoas que protestavam contra o governo nos jogos foram presas ou expulsas dos estádios, causando indignação em diversos juristas e advogados.

A outra situação é o envolvimento de governistas e do próprio Temer em recebimento de ilícitos. Já que o impeachment foi aberto em nome do combate à corrupção, seria contraditório fazer "vistas grossas" às denúncias.