O arrependimento compõe a série de sentimentos que #Dilma Rousseff mantém após ter sido afastada da presidência da República, ainda em maio desse ano, em decorrência do avanço do processo de #Impeachment no Senado Federal. Embora admita que cometeu erros também na área econômica, como na redução de impostos, ela se martiriza mais por ter escolhido #Michel Temer como o seu companheiro de chapa e candidato à vice-presidente.

Em entrevista à imprensa estrangeira concedida nesta quinta-feira, 18, a presidente afastada voltou a elencar críticas quanto ao peemedebista, que herdou o cargo quando o afastamento da petista se consolidou.

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Ela salientou que o seu escolhido como vice tinha o desejo de se tornar presidente e trabalhou nos bastidores para isso. Em declarações anteriores, Dilma já havia classificado Temer como, ao lado de Eduardo Cunha - ex-presidente da Câmara dos Deputados -, "os capitães do golpe".

"Foi, sim, um erro. Foi um erro cometido escolher para ser vice-presidente quem mantém atitudes de conspiração e usurpação", disse Dilma Rousseff, em referência à Michel Temer. Antes da abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro, há duas semanas, a petista já havia manifestado sua contrariedade ao novo governo chamando-o de "interino, imoral e ilegítimo", assim justificando a sua ausência na cerimônia de abertura.

Também nesta quinta, Dilma voltou a se declarar inocente sobre as denúncias que compõem o processo de impeachment.

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A partir do dia 25 de agosto, ela começará a ser julgada. A tendência é que a votação, presidida pelo ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, vá até o dia 29. "O que eu espero é que se faça justiça, e eu nem poderia esperar outra coisa. Seria uma aberração condenar um inocente", salientou Dilma Rousseff.

Reforma política e erros na economia

Pauta antiga em Brasília e uma das principais demandas das manifestações de junho de 2013, a tão falada reforma política voltou a ser defendida pela presidente suspensa. Segundo ela, fica inviável aprovar matérias no Congresso Nacional tendo que lidar com os desejos de trinta partidos políticos. De forma indireta, ela indicou que a sua perda da base aliada se deu pela grande proliferação de siglas.

"Não importa se o governante tem popularidade ou competência. De qualquer jeito vai ser impossível ter que negociar com trinta partidos para que uma lei possa ser aprovada", reclamou.

Sobre a economia, Dilma admitiu que, enquanto presidente, cometeu equívocos.

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Um deles foi a redução de impostos, o que, em sua análise, não beneficiou o povo brasileiro e sim certos setores empresariais. Ela acredita que os avanços sociais seguirão marcados como legado do seu governo.

Por fim, ela admitiu ter receio do futuro caso o processo de impeachment seja aprovado. Dilma espera não viver aquilo que considero um "retrocesso". "Em todas as hipóteses possíveis, sempre que eu tento olhar para o futuro, fico preocupada para que a gente depois não olhe para trás e veja que o Brasil viveu um grande retrocesso", finalizou.