Nesta segunda-feira, 29, durante discurso no Senado Federal, a presidente afastada Dilma Rousseff se emocionou ao lembrar da batalha contra o câncer. "Uma doença grave que poderia ter abreviado a minha existência". "Mas hoje só temo a morte da democracia", disse ela enxugando as lágrimas que corriam dos olhos e escorriam para o rosto. Esse foi o ponto em que a companheira do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais se emocionou. Existia uma expectativa para que a petista chorasse, já que isso criaria uma empatia com os eleitores, que acompanham tudo pela televisão, e com os próprios Senadores, podendo, quem sabe, reverter os votos. 

Da galeria do Senado, o ex-presidente Lula acompanhou o discurso da mulher que ajudou a colocar no poder, no plenário da Casa.

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Em outro momento, a petista lembrou da instabilidade política histórica no país, dizendo que diversos presidentes da república foram alvos de tentativa de serem retirados do poder. Ela citou, inclusive, Getúlio Vargas, que é o político que mais ficou à frente no poder no país, sendo até considera responsável pelo primeiro regime militar do país, na década de 1930, mas que na sua segunda longa gestão se viu como impopular pelo povo e pela imprensa. Ameaçado de deposição, Getúlio decidiu atirar na própria cabeça e se assassinar. 

Vargas deixou uma carta, na qual dizia que deixava a vida e entrava para a história. De fato, o tempo no poder, as conquistas e o encerramento trágico de sua gestão o fizeram ganhar um lugar especial na história, virando o maior presidente de todos, pelo menos até agora.

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Dilma disse que não é do seu feitio desistir e que diferente de Getúlio lutaria até o fim. "Muita gente me perguntou porque eu não renunciaria. Eu lutaria, eu jamais renunciaria", disse a primeira mulher eleita para uma plateia já lotada com os Congressistas que devem resolver ainda nessa semana o assunto deposição.

Para que a petista seja deposta são necessários, no mínimo, 54 votos. Ao todo 81 Congressistas tem o direito de votar.  #PT #Dilma Rousseff