Segundo artigo publicado pela Folha de São Paulo, neste domingo dia 28, as principais empreiteiras investigadas pela Lava Jato parecem que encontraram uma maneira pouco usual de recompensar seus executivos que, mesmo processados pela #Justiça, optaram pela #Delação premiada e colaboram com estas empresas a obterem punições mais brandas. Elas estão adotando, segundo a matéria, o chamado 'auxílio-delação', que, além de funcionar como uma espécie de compensação, serve também para ajudar aos seus ex-diretores a manterem uma certa estabilidade financeira até que consigam uma nova recolocação no mercado de trabalho.

Partindo das principais empreiteiras investigadas pela Justiça brasileira, como a Andrade Gutierrez e a Odebrecht, o auxílio financeiro, além de proporcionar segurança a seus contemplados, desempenha um papel de controle sobre o que seus ex-diretores devem e podem declarar em juízo e que não vá comprometer a situação de ambas perante as investigações.

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Nos bastidores, parece funcionar como uma espécie de acordo, no qual, quem deve manter-se afastado temporariamente ou em definitivo, não deixará de manter uma garantia financeira de que não vai acabar abandonado à própria sorte.

Entretanto, este tipo peculiar de compensação parece variar um pouco entre cada empresa. No caso da Odebrecht, um grupo de cerca de 50 funcionários foram contemplados com a manutenção de seus vencimentos por um período de até 15 anos. Neste benefício estão incluídos também os custos com honorários advocatícios e multas decorrentes dos trâmites processuais.  Para aqueles com uma certa participação acionária, as benesses poderão ser incrementadas, entretanto, isso ainda é objeto de estudo pela direção da empreiteira. O fato é que a maioria dos seus executivos e ex-diretores optantes poderão contar com um suporte econômico até completarem os 70 anos de idade.

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Isso inclui também aqueles colaboradores que tiveram que ser demitidos por circunstâncias impostas pela delação.

No caso da Andrade Gutierrez, os benefícios parecem ser um pouco melhores. Muitos ex-diretores deverão continuar recebendo suas remunerações, mesmo sem dar nenhum dia a mais de expediente, por um período de cerca de dez anos. É o caso de Otávio Azevedo, que alijado da presidência e depois de passar oito meses em regime fechado, deverá embolsar a quantia de R$ 120 milhões pelos próximos dez anos, com uma remuneração mensal de R$ 1 milhão.

Apesar disso, a mesma disposição não pode ser experimentada pela OAS, de Léo Pinheiro. Alegando sérias dificuldades financeiras, a empresa ainda amarga a suspensão das delações por parte da Procuradoria Geral da República (PGR). Segundo as declarações de consultores à Folha, seria necessário a quantia de R$ 150 milhões para garantir um entendimento entre a diretoria e seus funcionários e ex-colaboradores. Mas isso seria só para o começo. A principal preocupação é a manutenção do acordo ao longo do tempo, visto que, isso poderá comprometer o conteúdo das delações que por um efeito do tipo cascata poderá afetar a situação da empreiteira perante à Justiça.  #Lava Jato