Nesta segunda-feira (1), o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 20 pessoas, suspeitas de serem integrantes de organização criminosa que fraudava um serviço de crédito consignado a funcionários públicos. Entre os denunciados está Paulo Bernardo, que foi ministro do Planejamento no governo Lula e das Comunicações no governo Dilma. Outro nome conhecido nesta denúncia é o do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

O esquema

Segundo os investigadores, o grupo atuou no Ministério do Planejamento entre 2009 e 2015. A acusação é de pagamento de propina ao PT e a agentes públicos e privados, além de lavagem de dinheiro. O MPF calcula que o esquema desviou mais de 100 milhões de reais.

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O advogado Rodrigo Mudrovitsch, que defende Paulo Bernardo, nega o envolvimento de seu cliente na fraude. Segundo ele, houve um acordo de cooperação técnica, firmado entre a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento e empresas privadas, que em nada beneficiou o ex-ministro.

Contrariando a declaração de Mudrovitsch, o procurador Andrey Borges de Mendonça reitera que Paulo Bernardo sabia de todo o funcionamento do esquema, que tinha participação ativa e tomava todas as decisões, embora "nos bastidores".

De acordo com a denúncia, a Consist, empresa contratada, cobrava cerca de 70% a mais, o que era distribuído para políticos e para o PT. 

A Polícia Federal conseguiu comprovar através de documentos apreendidos, que a "turma" de Paulo Bernardo recebeu pelo menos 500 mil reais.

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Indiciado na Operação Custo Brasil

Em junho deste ano, 21 pessoas foram indiciadas na Operação Custo Brasil, parte da #Lava Jato, entre elas o ex-ministro. A acusação é de pagamento de propina a pessoas ligadas ao Ministério do Planejamento entre 2010 e 2015, em contratos de prestação de serviços de informática.

Na ocasião, Paulo Bernardo ficou preso entre os dias 23 e 29 de junho.

O PT, cuja sede foi alvo de um mandado de busca, publicou então uma nota, pedindo "amplo direito à defesa" e afirmando que "o partido não tem nada a esconder". #Corrupção