Com uma declaração contundente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, evidenciou que “é preciso colocar freios” sobre o exercício da atividade do Ministério Público (MP). A declaração pode ter favorecido ao desentendimento entre o STF e o MP. Muito embora não mencionasse os nomes, mas, o conteúdo fez referência aos procuradores vinculados à operação Lava Jato, conforme informação do jornal o “Estado de S. Paulo".

O ministro demonstrou total indignação com o vazamento das informações colhidas do depoimento de Léo Pinheiro, empreiteiro da OAS. No entanto, a atitude incisiva foi notória talvez pela gravidade dos fatos, pois as revelações fazem parte do pré-acordo de delação premiada, o qual ainda seria analisado e possivelmente homologado pelo STF.

Publicidade
Publicidade

Essa foi a primeira vez em que um dos ministros da Suprema Corte apresentou insatisfação com procuradores da república. O impacto provavelmente poderá enfraquecer a relação entre o Ministério Público e o Supremo Tribunal, pelo menos por enquanto.

Enquanto isso, consequentemente, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, visualizando toda a situação, achou por bem suspender a colaboração do empreiteiro com a #Justiça até que os ânimos se acalmem.

Entenda parte do conteúdo delatado por Léo Pinheiro

Acontece que o executivo da OAS revelou que sugestivamente que o então ministro Antônio Dias Toffoli tinha certa aproximação com o Léo Pinheiro, alegou aos autos que em um encontro com o próprio ministro foi comentado que a sua residência precisava de algumas benfeitorias, até porque o estado era crítico exigindo certa urgência.

Publicidade

Dias depois a reforma foi orçada e imediatamente concluída pela equipe dos engenheiros da OAS.

Apesar de todas as investigações junto ao processo da Lava Jato estar tramitando em segredo de justiça, o depoimento foi publicado por meio dos maiores veículos de comunicação do país, revelando provavelmente a insegurança jurídica que tanto o ministro Gilmar Mendes tinha receio.

Ciente das supostas acusações, o ministro Toffoli tratou de negar todas as alegações, informando que efetuou o pagamento de todas as despesas necessárias com relação à reforma, inclusive, o serviço de impermeabilização ocorrido em seu domicilio.

Mendes levantou a hipótese de tudo se resumir em retaliação, ou seja, “acerto de contas” promovido pelos procuradores, pois, segundo a reportagem da revista "Veja" Dias Toffoli havia manifestado voto contrário às atitudes do Ministério Público ao requerer a soltura do ex-ministro de Dilma Rousseff, Paulo Bernardo, além de fragmentar a investigação da petista senadora Gleisi Hoffman.

Publicidade

Gilmar ainda voltou ao tempo e citou o episódio do delegado Protógenes Queiroz, da Operação Satiagraha em 2008 que teve a sua vida profissional anulada, sendo expulso da corporação da Polícia Federal em decorrência de desobediência ao sigilo funcional. Em defesa de Toffoli, Mendes, deduziu que o amigo pudesse ter entrado "na mira dos investigadores por uma decisão que os desagradou”, enfatizando que a situação já havia acontecido antes no país e finalizou com a seguinte frase: "O cemitério está cheio desses heróis”, concluiu o editorial. #Lava Jato #Corrupção