As investigações da Operação Lava Jato, que começaram por conta de um esquema de propina nos contratos da Petrobras e já alcançou diversas outras empresas públicas, sempre foi marcada por inúmeros vazamentos de informações, inclusive das chamadas delações premiadas. Alguns dos vazamentos envolviam nomes "graúdos" da política nacional, como o do ex-presidente Lula, senador Aécio Neves, deputados e até mesmo ministros nomeados pelo presidente interino Michel Temer. Apesar disso, as investigações não pararam... até agora. Parece que  a energia aparentemente irrefreável de Sérgio Moro finalmente se chocou com um objeto inamovível: o Supremo Tribunal Federal.

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O motivo é simples: o presidente da OAS, Léo Pinheiro, durante suas negociações para uma delação-premiada, citou um episódio envolvendo o ministro do Supremo, Dias Toffoli. 

De acordo com Leo Pinheiro, Toffoli enfrentou um vazamento em sua casa em Brasília e entrou em contato com ele para que indicasse uma empresa para fazer as obras de conserto e impermeabilização da área. De acordo com a revista Veja, que teve acesso aos registros da conversa de Pinheiro com os investigadores, o presidente da empreiteira garantiu que as obras foram pagas pelo próprio Toffoli. Apesar disso, o vazamento da conversa causou revolta nos demais ministros do Supremo Tribunal Federal, que deram início a uma ofensiva para impedir que a delação premiada de Leo Pinheiro se concretize. Vale ressaltar: Leo Pinheiro já foi condenado a 16 anos de prisão por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e tenta, com a delação-premiada, diminuir seu tempo na cadeia.

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O contra-ataque do #STF aos investigadores da Lava-Jato

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, os ministros do Supremo Tribunal Federal passaram o final de semana se movimentando para impedir que os investigadores da Procuradoria Geral da República se aproximassem ainda mais do tribunal. O jornal relata uma intensa troca de mensagens e telefonemas entre juristas para deixar claro que "vazamentos" não seriam mais aceitos.

O recado foi dado: delações vazadas não serão mais homologadas pelo Supremo. E, mais importante: foi ouvido. A Procuradoria Geral da República determinou, nesta segunda-feira (22), o fim das negociações de delação premiada com Leo Pinheiro. Curioso é que que este endurecimento do STF só ocorra agora, quando um de seus membros se viu envolvido na delação.

O X da questão

Mas uma pergunta não quer calar: por que Leo Pinheiro citou um caso frívolo envolvendo Dias Toffoli?  E, ainda mais importante: por que o STF se incomodou com isso? 

Ao que parece, não teremos as respostas oficiais a essas perguntas. E você, como cidadão, o que acha?  #Lava Jato