Patricia Lelis é uma garota de 22 anos, militante da juventude do Partido Social Cristão (PSC), hoje conhecido como o partido mais moralista do Congresso Federal, que dirige a Bancada Evangélica, Patricia é, ainda, uma youtuber conservadora e “antifeminista”. Mas, infelizmente e ironicamente, foi vítima de violência e assédio sexual por um dos maiores representantes da família tradicional brasileira, Marcos Feliciano.

O fato teria ocorrido há dois meses, numa manhã de quarta-feira dia 15 de junho, em Brasília. Segundo Patricia, o deputado convidou ela para uma reunião sobre a UNE (União Nacional dos Estudantes), em seu apartamento funcional, juntamente com outros membros do partido.

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Mas a jovem relata que quando chegou em seu apartamento havia apenas o pastor Feliciano.

Segundo a jovem, o deputado deu em cima dela descaradamente, querendo que ela fosse sua amante. Chegou a oferecer um alto cargo dentro do partido (PSC) e um salário de 15 mil reais. “Ele estava diferente, com os olhos vermelhos. Ele queria que eu terminasse com meu namorado e ficasse com ele'', afirma a jovem. Patrícia negou a proposta. Marcos Feliciano não aceitou, estava alterado, e agrediu fisicamente a jovem com um soco na boca e chute nas pernas. Beijou ela à força. Levantou sua saia e tentou tirar sua roupa. Não deixou a jovem ir embora. Patricia começou a gritar, até que uma vizinha bateu na porta do apartamento, perguntando se estava tudo bem. Foi o momento de fugir.

No dia seguinte, Feliciano manda seu chefe de gabinete, Talma Bauer, conversar com Patricia.

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A jovem conseguiu gravar toda a conversa, onde o assessor confirma o ocorrido e tenta arrumar um jeito de “colocar uma pedra nesse assunto”. Patricia, além de outras coisas, diz, no áudio: “Provavelmente eu não fui a primeira, e não sou a última. Eu serei a primeira que vai falar! Eu não aceito nada em troca. O que ele fez foi impagável”. Além de mandar um recado para o pastor “aquietar o pintinho dele”.

"Pastor Everaldo me ameaçou de morte"

A princípio, Patrícia afirma que não queria prejudicar sua bandeira política, pois era cristã e tal fatalidade iria causar um grande escândalo. Queria uma solução dentro do partido, porque se via prejudicada, pois o ocorrido estava se espalhando dentro do partido.  Isso porque, quando chegou no apartamento do deputado, ele começou a questionar pelo whatsapp a ausência do restante do grupo.

Patrícia pediu ajuda do partido, solicitando uma reunião com os dirigentes. Na reunião foi vítima de suborno, o presidente do partido (PSC), pastor Everaldo, ofereceu muito dinheiro.

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Ela rejeitou, Everaldo disse: “Se você levar essa história para frente a gente vai te matar, a gente conhece sua família”. Segundo a jovem, o pastor Everaldo teria ligado para ela reforçando as ameaças.

Publicação do ocorrido

Nesse meio tempo, a jovem entregou as gravações e os prints das conversas (pelo whatsapp) com Feliciano, por segurança, para um amigo. Um ex-professor e jornalista publicou a matéria em um site. Talma Bauer, assessor de Feliciano, foi até à jovem, levou ela a força para um hotel e sob ameaças, a mão armada, mandou a jovem gravar vídeos desmentindo as matérias. A jovem gravou dois vídeos. Ele pediu a senha das suas redes sociais e postou os vídeos.

Boletim de ocorrência

Nesta sexta-feira, Patricia Lelis foi acompanhada da mãe, prestar queixa contra o deputado Marcos Feliciano. O caso está sendo investigado pela delegacia do 3° Distrito Policial, em Campos Elísios – SP. O delegado prendeu Talma Bauer, temporariamente, por sequestro, ameaça e constrangimento. Feliciano possui imunidade parlamentar, mas senadores já pediram a sua investigação. Nas redes sociais o político e pastor se mantém calado sobre o assunto. Em conversa com Patrícia, pelo whatsapp, Feliciano se justifica do acontecimento, dizendo: “a carne é fraca”.   #machismo #cultura do estupro #Crime