O ex-ministro Paulo Bernardo, do Partido dos Trabalhadores, foi denunciado pelo Ministério Público Federal em São Paulo por fazer parte de uma organização criminosa em que, sendo membro, praticou o crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro - operando um esquema de pagamento de propinas de cerca de R$ 100 milhões a membros do partido, funcionários públicos e pessoas ligadas ao setor privado. Além do marido da senadora Gleisi Hoffmann, outras 19 pessoas também foram denunciadas pelos mesmos crimes. 

A descoberta das ações da quadrilha foi feita durante as investigações da Operação Custo Brasil - deflagrada dia 23 de junho e que apura um esquema de pagamento de propinas a pessoas ligadas a funcionários e agentes públicos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; em decorrência de celebrações de contratos de prestação de serviços de informática entre 2010 e 2015 -, que são a 17ª e a 18ª fases da #Lava Jato.

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Pelo crime de corrupção passiva, além de Bernardo, também foram denunciados o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e outras 11 pessoas. Vaccari é investigado por ser operador de contratos fraudulentos com a empresa Consist e o Ministério do Planejamento. Todos foram denunciados pelos crimes já citados, bem como por corrupção ativa e também obstrução das investigações.

O procurador Andrey Borges de Mendonça afirmou que o ex-ministro Paulo Bernardo não apenas sabia de todo o esquema como também era a pessoa responsável pelas indicações a cargos em seu Ministério, o do Planejamento, e foi bastante participativo nos bastidores por ser quem tomava as decisões, ainda que não aparecesse formalmente.

Natalio Fridman, fundador da Consist, foi denunciado pelo crime de corrupção ativa, associação à organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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Segundo o procurador Rodrigo de Grandis, as sentenças de condenação da Operação Custo Brasil devem ser declaradas até o fim deste ano, à medida em que o MPF for recebendo denúncias contra os investigados.

Ministro nos dois governos do PT, tanto no de Lula quando foi mandatário no Ministério do Planejamento; quanto no de Dilma Rousseff, no Ministério das Comunicações; Bernardo pode ter sido integrante de uma quadrilha especializada em fraudes contra um serviço que concedia créditos consignados a funcionários públicos.

Como de costume, a defesa do ex-ministro alega que o mesmo não operou quaisquer esquemas ilícitos durante o período em que esteve à frente de ambos os ministérios, afirmando também que ele nunca recebeu nenhuma quantia, de forma direta ou indireta, por parte da empresa Consist.

Apesar de ter sido preso no dia em que a Operação Custo Brasil foi deflagrada, 23 de junho, Paulo Bernardo deixou a cela seis dias depois por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

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No entanto, o ministro do STF recusou o pedido da defesa do petista para que o caso fosse encaminhado da Justiça Federal de São Paulo para a Suprema Corte.

Até aqui já está comprovado que a Consist, ao receber além do que lhe era de direito, repassava 70% a políticos do Partido dos Trabalhadores, além do próprio PT e aliados.

Cerca de R$ 7 milhões, segundo apurou o MPF, é o montante que chegou às mãos do grupo em que Bernardo era integrante. Ainda segundo as investigações, as despesas do ex-ministro eram pagas através de três contas bancárias em nome do advogado Guilherme Gonçalves, administrador de um fundo denominado "Fundo Consist". #Governo #Crise-de-governo