Sérgio Moro é um dos nomes mais citados no país desde o início da Operação Lava Jato há cerca de dois anos. Nesta quinta-feira (4), o juiz paranaense esteve na Câmara dos Deputados para debater as dez medidas sugeridas pelo Ministério Público para combater a corrupção. Entre as sugestões, #Moro propôs o fim do foro privilegiado, a proibição de que membros do Legislativo e Executivo federais sejam julgados apenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a criminalização do enriquecimento ilícito. 

O juiz criticou também a classificação do caixa-dois como um crime menor.

Em determinado momento de sua fala, Moro sugeriu que se adotassem medidas parecidas com a do sistema de justiça americano no Brasil.

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Sobre o posicionamento, o deputado Paulo Pimenta (#PT) questionou o juiz: “Imagina se um juiz de primeira instância nos Estados Unidos captasse de maneira ilegal uma conversa entre Bill Clinton, ex-presidente norte-americano, e Barack Obama e jogasse nas redes de TV, qual teria sido a atitude da justiça americana? E então por que nós não pegamos esses exemplos para serem adotados no Brasil?”, disparou.

Após a crítica do parlamentar, que se refere ao fato de o juiz ter divulgado uma conversa interceptada entre o ex-presidente #Lula e a presidenta afastada Dilma Rousseff, o juiz respondeu apenas: "não vou comentar". Nos Estados Unidos, divulgar a privacidade do presidente da República é crime contra a segurança nacional. Há época do fato, a revista americana "The Economist" lançou um artigo em que dizia que o grampo de Moro violou a privacidade de Dilma.

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Em sua fala, Pimenta questionou ainda a "seletividade" da justiça e da imprensa. "A seletividade permite que funcionários que trabalham para impedir que nós possamos cassar Eduardo Cunha venham até uma comissão como esta falar sobre corrupção e defender endurecimento de pena para 'vagabundos'". Ele criticou ainda a falta de cobrança da imprensa no caso do Banestado, escândalo que desviou meio bilhão de dólares do Brasil a partir do Paraná e que veio à tona no início dos anos 2000. O caso também foi julgado por Moro, mas não prendeu nenhum grande corrupto.

Confira o vídeo com os questionamento de Pimenta.