O senador Roberto Requião (#PMDB-PR), pertencente ao mesmo partido do governo interino, mas crítico de suas iniciativas, utilizou hoje a tribuna do Senado para fazer um apelo aos "verdadeiros peemedebistas" para que abandonem o "golpe" e votem pelo fim do #Impeachment e por novas eleições. "Não é 'volta querida!' nem 'fora Temer': é uma manifestação a favor da dignidade e da construção de um projeto democrático", disse.

Requião disse que estaria falando como "senador, primeiro filiado do PMDB do Paraná e como presidente do partido no seu estado" e para que "a juventude não tomasse o desastre da interinidade como uma manifestação bruta e acabada do que seja o nosso PMDB".

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Em seguida, o senador passou a comparar o atual governo peemedebista com o governo de José Sarney, também do PMDB (1985 a 1989) em questão de projetos.

Ele comparou o PMDB de hoje (citando Eliseu Padilha, Eduardo Cunha, Moreira Franco e outros) com o de antes (citando Waldir Pires, Ulysses Guimarães, Celso Furtado e outros). Em questão de relações exteriores, citou que o governo Sarney reaproximou o Brasil de Cuba, dos países do Leste Europeu e China, criou o Mercosul, não alinhou-se apenas a grandes potências, enquanto que, no momento atual, o Itamaraty retroagiu "ao que existe de mais atrasado e obtuso na América Latina", realinhando-se com os acordos bilaterais. Cita ainda que "parecem querer ressuscitar a ALCA" e boicotar o Mercosul.

Requião comparou ainda os dois governos em termos de direitos trabalhistas e sociais. Ele citou que o atual governo pretende por o peso da crise no ombro do trabalhador, com uma reforma trabalhista que quer "revogar a CLT" e ironizou: "querem revogar a Lei Áurea" e impor o fim dos direitos trabalhistas e previdenciários.

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Relembra ainda que o atual ministro da Saúde defende a privatização do SUS e de outros direitos básicos de saúde, universalizados justamente no governo Sarney.

O senador cita ainda que a "lista de retrocessos em menos de sessenta dias de governo interino alonga-se". Ele lembra que no governo Sarney foi criado o Seguro Desemprego, a Previdência passou a ser direito do homem do campo, foi retomada a reforma agrária e outros direitos foram adquiridos, enquanto o atual governo estaria trabalhando para revogá-los.

Ele disse ainda que o "PMDB de Sarney era muito diferente desta aventura de Temer" e disse que não queria "canonizar Sarney", mas também não queria "condená-lo ao fogo do inferno". Ele reclamou ainda de que a sessão não estivesse sendo transmitida ao vivo: "está tudo lá no circo do impeachment", disparou.

Confira na íntegra o discurso do senador Requião, com estas e outras críticas:

#Michel Temer