Após se arrastar por vários meses, o processo de cassação do deputado #Eduardo Cunha parece estar próximo de uma definição. Mesmo estando aprovado para votação em plenário desde julho, o parecer com a aprovação do Conselho de Ética para prosseguir com a questão só teve prosseguimento na última segunda-feira (8). Diante disso, iniciou-se uma cobrança da oposição sobre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que avançasse com a questão, já que, com a leitura do parecer, o processo de cassação ganhou prioridade na votação da Casa.

Para a ala oposicionista, o destino de Cunha deveria ser decidido já na próxima semana, antes de o Senado votar a questão do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Publicidade
Publicidade

Já a ala governista defendia resolver a questão do ex-presidente da Câmara somente depois que o julgamento de Dilma ocorra no Senado. Entre as duas perspectivas, Maia decidiu alinhar-se com a base aliada do governo, da qual faz parte, e estabeleceu o dia 12 de setembro para que os deputados votem a cassação de Eduardo Cunha.

Motivos

A escolha da data, segundo o presidente da Câmara revelou ao jornal O Globo, teria sido motivada por uma série de fatores. O primeiro, já comentado em outros momentos, refere-se à campanha das eleições municipais deste ano, que deve começar no próximo dia 15 e teria como principal consequência a redução significativa do quórum da Câmara, inviabilizando a votação da cassação. Na semana seguinte ao início da campanha eleitoral, Maia considerou inviável pelo fato de estar marcada a votação no Senado do impeachment de Dilma.

Publicidade

Além disso, a partir do dia 29 o presidente interino Michel Temer deverá se ausentar para uma visita oficial à China e o atual ocupante da Presidência da Câmara deve ocupar o cargo de presidente da República. Neste período Maia ficará impedido de presidir as sessões, que ficarão sob a responsabilidade do deputado Waldir Maranhão, o mesmo que ocupou interinamente o cargo de presidente da Câmara após o afastamento de Eduardo Cunha pelo STF. Já na semana após a passagem de Maia pelo Planalto ocorrerá o feriado da Independência, 7 de setembro, momento em que o quórum na Câmara também deverá estar reduzido para haver votação. Assim, teria restado apenas o dia 12 de setembro como data provável mais próxima para ocorrer a votação da cassação de Eduardo Cunha

Reações

Como era de se esperar, a decisão de Rodrigo Maia não repercutiu bem com a oposição. Para o deputado Alessandro Molon, da Rede do Rio de Janeiro, a definição da data para setembro representaria uma atitude ao mesmo tempo ‘’covarde’’ e ‘’conivente’’ do Palácio do Planalto e parte da #Câmara dos Deputados.

Publicidade

Para Molon, a base aliada do presidente interino Michel Temer estaria com receio de possíveis delações de Eduardo Cunha tão logo perca seu mandato como deputado, o que poderia comprometer a efetivação do interino na Presidência da República. Posição semelhante é defendida pelo deputado do PSOL do Rio de Janeiro, Chico Alencar, que afirmou serem ‘’desculpas’’ os argumentos apresentados por Rodrigo Maia para marcar a data da votação de Cunha para setembro. Para Alencar, assim como Molon, haveria medo de que o ex-presidente da Câmara atrapalhe o processo de impeachment da presidente Dilma.

Na ala governista a definição da votação de Eduardo Cunha para o mês que vem não surpreendeu, já que desde o início da semana as lideranças da base aliada vinham se articulando por um consenso, que basicamente foi selar o destino de Cunha após a definição sobre a interinidade de Temer no Senado. Líder do Democratas, partido de Rodrigo Maia, o deputado Pauderney Avelino pareceu não concordar plenamente com a ideia, mas considerou pertinente como estratégia para evitar “tumulto e estresse”. Para que a cassação de Cunha aconteça, é necessário que pelo menos 257 deputados, de 512, emitam voto a favor de cassar o mandato do ex-presidente da Câmara.