O juiz Sérgio Moro, responsável por coordenar a operação #Lava Jato, declarou nesta sexta-feira, dia 12, que deverá suspender os trâmites processuais que correm na Justiça Federal contra os executivos da empresa Odebrecht, incluindo também seu ex-presidente, Marcelo Odebrecht, pelo prazo de duas semanas. O magistrado optou por esta alternativa ao tomar conhecimento que existe uma negociação em curso, por parte dos réus, para que possam prestar espontaneamente maiores esclarecimentos sobre a participação de outros envolvidos nos crimes de #Corrupção e lavagem de dinheiro e no esquema de repasse de propinas a empresas ligadas ao #Governo da  presidente afastada Dilma Rousseff.

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Apesar da posição contrária do Ministério Público Federal (MPF), Moro decidiu pela suspensão temporária das ações processuais por entender que há uma disposição dos acusados em colaborar com as investigações através da chamada delação premiada. A opção se deu após a audiência de testemunhas de acusação que foram ouvidas nesta sexta-feira, dia 12.

Após mais uma análise dos autos, o juiz chamou a atenção para um documento anexado aos mesmos, na qual a defesa informa que os seus clientes confirmam a disposição em colaborar com as investigações. Sérgio Moro ressaltou que a situação dos investigados poderá ser alterada durante todo o transcorrer do processo. Isto deverá depender dos resultados alcançados com a adesão ao instrumento de delação. O juiz afirmou que uma vez homologado a colaboração, o réu deverá se comprometer em falar somente a verdade dos fatos.

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Caso contrário, ele poderá agravar mais ainda a sua situação perante a Justiça. 

O processo suspenso temporariamente pelo magistrado investiga a participação tanto de Marcelo quanto demais diretores da empreiteira nos escandalosos esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e repasse de propinas a pessoas e empresas ligada ao governo petista. A Justiça investiga a possível criação de um 'departamento de propinas' dentro da Odebrecht, que seria responsável exclusivamente pelos repasses. Neste mesmo processo estão envolvidos também o marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura. Ambos teriam sido beneficiados com o repasse de valores em contas no exterior, mesmo com as investigações da Lava Jato pela Polícia Federal(PF) em curso.

Com a suspensão temporária, Sérgio Moro deverá proceder a um novo exame do processo, principalmente, após os depoimentos dos réus através do instrumento de delação e somente decorrido o período de suspensão. Apesar de optar pela medida que poderá servir para atenuar a situação dos mesmos dentro do processo, o titular da Justiça Federal em Curitiba negou-se a considerar um possível questionamento quanto ao tempo de prisão dos acusados, ao qual considerou sem propósito.