Após dois dias de intensas discussões e trocas de farpas, o terceiro dia de julgamento do processo de #Impeachment da presidente afastada #Dilma Rousseff (PT) chegou ao fim na noite deste sábado, dia 27. Iniciado por volta das 10h30 da manhã, o dia no Senado contou com os depoimentos das duas últimas testemunhas de defesa de Dilma e teve cerca de 12 horas de duração.

 

Depoimentos

Com clima mais ameno do que nos dois dias anteriores, o terceiro dia do julgamento contou primeiro com o depoimento do ex-ministro da Fazenda de Dilma, Nelson Barbosa. Ao longo de oito horas, Barbosa defendeu as ações da presidente afastada, afirmando que Dilma “seguiu o que está na lei” e afirmando que “não há base para crime de responsabilidade”.

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O ex-ministro foi interpelado pelos senadores de oposição Aécio Neves (PSDB), Ana Amélia (PP) e Alvaro Dias (PV), que questionaram algumas das afirmações do ex-ministro.

Após a fala de Barbosa, foi a vez do depoimento de Ricardo Lodi Ribeiro, professor de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que participou do processo na condição de informante. Após ser questionado se o processo de impeachment de Dilma estava seguindo os preceitos da constituição, Ribeiro afirmou que sim, mas apenas “do ponto formal”. Para o professor, o processo está sendo motivado por um “juízo político”. De acordo com o especialista, “há uma preocupação com a avaliação política do governo e não com a investigação dos crimes”.

Por estar participando do julgamento como informante, o depoimento de Ribeiro não pode ser usado como prova pela defesa, mas sim como uma ênfase do argumento da defesa de que Dilma não cometeu crimes fiscais e de que o processo está sendo movido por ideais partidários.

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Ribeiro também declarou que, na época referida pela acusação, as chamadas “pedaladas fiscais” não eram consideradas crimes de responsabilidade.

Ele relembrou que as mudanças para enquadrar a prática como crime foram aprovadas em 2015 pelo Tribunal de Contas da União. Logo, Dilma não teria cometido um crime mesmo se for comprovada sua participação nas pedaladas. “Não há crime antes de existir uma norma que o preveja”, afirmou o professor.

 

Gafe e sequência do julgamento

O dia de julgamento também contou com uma gafe do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que chamou o senador Cristovam Buarque (PPS) de Cristovam Colombo, arrancando risos do plenário.

O julgamento agora entra em recesso neste domingo, e será retomado a partir desta segunda-feira, dia 29, quando a presidente Dilma Rousseff fará seu aguardado depoimento. A fala de defesa da petista deve durar cerca de 30 minutos. Na sequência, a presidente afastada responderá a perguntas da acusação, da defesa e dos senadores.

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Estima-se que o Senado terá casa cheia, e de que o ex-presidente Lula e outros ex-ministros e aliados de Dilma estejam presentes no local para apoiar a mandatária na reta final do processo.

Contrários ao que chamam de “golpe”, artistas e intelectuais também devem participar da sessão como convidados de Dilma. Entre eles está o músico Chico Buarque, que poderá presenciar o julgamento como ouvinte. No entanto, sua presença ainda não foi confirmada. #Senado Federal